O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou neste domingo (13) o sigilo de uma investigação que tem o deputado federal Mário Frias (PL-SP) entre os alvos da apuração sobre desvio de emendas parlamentares. No mesmo caso, o despacho registra uma linha de investigação que apura possível vínculo do grupo investigado com o PCC (Primeiro Comando da Capital). O despacho não imputa a Frias ligação pessoal com a facção.

Frias nega irregularidades. Ele classificou a operação da Polícia Federal como uma "cortina de fumaça", disse que vai colaborar com as investigações, entregar a documentação solicitada e afirmou acreditar no arquivamento do caso. Frias é investigado e não foi condenado.

Segundo o despacho do ministro, a Polícia Federal identificou indícios de "confusão patrimonial" entre o Instituto Conhecer Brasil, empresas contratadas pela entidade e pessoas ligadas ao grupo investigado. Os achados incluem vínculos societários cruzados e faturamento declarado incompatível com os valores movimentados. Dino escreveu:

Essa circulação de recursos entre o parlamentar, a entidade executora, a empresa contratada e outra organização beneficiária não se compatibiliza com relações negociais independentes.

Dino reuniu sob sua relatoria os inquéritos que também miram contratos com a Prefeitura de São Paulo. Uma das hipóteses investigadas é a existência de uma organização criminosa destinada à captação, circulação e ocultação de recursos públicos.

O caso é desdobramento da Operação Make Up, deflagrada em 10 de setembro, que mirou o deputado por uma emenda de R$ 2 milhões sem execução comprovada. Segundo a apuração, o dinheiro teria seguido até a Go Up Entertainment, produtora do filme "Dark Horse", sobre Bolsonaro.

Os valores das emendas apuradas

Os valores das emendas apuradas somam R$ 3,15 milhões, destinados por três deputados do PL à Academia Nacional de Cultura, entidade no centro da apuração. Mário Frias concentra a maior fatia; os outros dois são Marcos Pollon e Bia Kicis.

Emendas à Academia Nacional de Cultura citadas na investigação — conferido em 13/09/2026
DeputadoPartidoValor da emenda
Mário FriasPL-SPR$ 2.000.000
Marcos PollonPL-MSR$ 1.000.000
Bia KicisPL-DFR$ 150.000

Juntos, os três parlamentares destinaram R$ 3,15 milhões à mesma entidade. Segundo a Polícia Federal, esse dinheiro seguiu por empresas apontadas pela corporação como intermediárias até a produtora responsável pelo filme sobre Bolsonaro.

Horas antes do despacho de Dino, uma apuração já havia mostrado que a produtora do filme pagou R$ 137 mil em faturas ligadas a Frias, parte do mesmo conjunto de contratos que agora está sob a relatoria única do ministro.

Nenhuma das outras pessoas citadas no despacho (a empresária Karina Ferreira da Gama, sócios do Instituto Conhecer Brasil e das empresas contratadas) teve manifestação pública localizada até a publicação desta matéria.

O que acontece agora

Agora, os inquéritos seguem sob a relatoria única de Dino no STF, que já proibiu Frias e outros 28 investigados de deixar o país por risco de evasão. A PF deve aprofundar os vínculos societários citados no despacho, e Frias precisa entregar a documentação prometida.