Tarcísio de Freitas (Republicanos) citou o Selo Ouro do MEC para rebater Fernando Haddad (PT) num debate na TV, nesta terça-feira (29), quando o adversário questionou a alfabetização em São Paulo. Nenhum dos dois citou um número sequer para sustentar o próprio argumento.
Os dados oficiais existem, e mostram os dois lados com uma parte de razão. São Paulo tem, sim, o Selo Ouro. E está, sim, abaixo da média nacional de alfabetização.
| Ano | São Paulo (estado) | Brasil (média nacional) |
|---|---|---|
| 2023 | 52% | 56% |
| 2024 | 58% | 59% |
| 2025 | 61% | 66% |
O estado cumpriu sua própria meta em 2025, de 61%. Mas essa meta é estadual, calculada sobre o ponto de partida de São Paulo, e ficou 5 pontos abaixo da média do país.
O Brasil saltou de 56% em 2023 para 66% em 2025, avanço de 7 pontos em um ano e 2 acima da própria meta nacional.
Só seis estados não bateram a própria meta: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Amazonas, Pará e Rio de Janeiro. São Paulo não está nessa lista.
O Selo Ouro, porém, não mede quem alfabetiza mais. É um selo de processo, não de resultado: avalia se a rede cumpriu mais de 50 indicadores de gestão, como formação de professor e monitoramento individual do aluno, não o percentual final de crianças alfabetizadas.
Por isso 11 estados ganharam o Ouro em 2025, entre eles Ceará (84% de alfabetização) e São Paulo (61%): a distância entre os dois nesse indicador é de 23 pontos, mas os dois têm o mesmo selo.
Ao todo, o MEC premiou 2.285 redes estaduais e municipais com o Ouro neste ciclo, além de 1.896 com Prata e 547 com Bronze.
Uma checagem da revista Fórum já havia apontado que São Paulo alcançou a nota de corte "por uma diferença pequena" em relação ao limite exigido.
Há também um recorte dentro do próprio estado que nenhum dos dois candidatos mencionou. O gargalo da alfabetização é debate nacional também na disputa presidencial, mas em São Paulo ele tem endereço concentrado.
Do total de alunos do 2º ano não alfabetizados no estado em 2025, 27% estão na capital, a cidade de São Paulo. Outros 17% se espalham por apenas 9 municípios. O desafio, portanto, não é uniforme: está concentrado onde mais gente mora.
A disputa pelo governo paulista segue no mesmo debate em que trocaram farpas sobre outro tema: horas antes, os candidatos já haviam discutido segurança pública e o PCC na mesma transmissão da Globo.
Nas pesquisas, a vantagem de Tarcísio sobre Haddad mudou pouco no último mês, o que faz de cada bloco do debate uma disputa por poucos pontos.
O ponto em aberto
O selo comprova gestão. O número mostra resultado. Nenhum candidato respondeu, no debate, como o estado pretende sair dos 61% atuais para a meta de 65% em 2026, com mais de um quarto do desafio concentrado numa única cidade.





































