O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao STF, nesta terça-feira (29), nova investigação contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) na Operação Postal Off, que apura fraude de R$ 94 milhões nos Correios. Ele pede também outro relator, no lugar de Kassio Nunes Marques.

A Polícia Federal apura um esquema em que grandes volumes de correspondência eram cobrados abaixo do valor real postado. O inquérito foi aberto em novembro de 2018 e chegou a mencionar Flávio em três momentos distintos.

A menção mais grave está em áudios de fevereiro de 2019. O empresário Eduardo Scheurer negociava a indicação de um nome à presidência dos Correios e descreveu a proposta como pagar “um barão por mês” pelo cargo.

Em outra gravação do mesmo mês, Scheurer contou que um interlocutor apresentou seu nome a Flávio e “adorou, ficou com os olhos brilhando”.

Em abril de 2019, uma interceptação telefônica captou o ex-diretor dos Correios Marco Venício da Costa sendo ainda mais direto.

“Vou te dar só o sobrenome, tá? Bolsonaro”, disse Marco Venício da Costa, em ligação gravada pela investigação.

O material vem de pessoas então investigadas na operação, o que a torna alegação de quem estava sob suspeita, não prova contra o senador. Não há decisão do STF sobre o mérito, e Flávio Bolsonaro não foi condenado em nenhuma instância neste processo.

O inquérito foi arquivado, na parte que envolvia Flávio, em 2021, por decisão do ministro Kassio Nunes Marques, relator do caso desde a distribuição original. Antes disso, a juíza federal Cláudia Maria Dadico já havia recomendado o avanço das investigações.

Dadico escreveu, na época, que “as menções são potencialmente relevantes, razão pela qual as investigações deveriam avançar”.

Lindbergh argumenta que o cenário mudou desde então. Ele cita um inquérito aberto em setembro de 2025 sobre o controle de Flávio em nomeações de um hospital federal no Rio de Janeiro como elemento novo para justificar a reabertura.

Por isso, o deputado pede à Corte que sorteie um relator diferente para o caso, e não a distribuição automática a Nunes Marques, que arquivou a investigação sobre o senador em 2021.

Não é a primeira vez que o petista aciona a Justiça contra o senador nesta eleição. Em agosto, Lindbergh já tinha levado à PF uma denúncia sobre a filiação de Flávio no TSE.

Em setembro, o PT também pediu ao STF que investigasse dinheiro de origem americana na campanha do senador. Os dois pedidos seguem sem decisão.

A petição desta terça-feira ainda depende de análise do STF, que pode manter o caso com Nunes Marques ou aceitar o sorteio de novo relator. Não há prazo informado para essa decisão.