A deputada estadual Dani Monteiro (PSOL) enviou ofício nesta terça-feira (29) ao Consórcio Maracanã e ao governo do Rio de Janeiro. Ela cobra explicações pelo veto ao Vasco para jogar a volta da semifinal da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors no estádio.

"O Maracanã é um equipamento público e não pode ser administrado como se tivesse dono", escreveu a deputada, questionando por que o gramado serviu para a NFL e outros eventos, mas não para o Vasco.

Monteiro argumentou que o clube "não é qualquer clube de várzea" e citou o papel histórico do Vasco na democratização do futebol e na luta contra o racismo no esporte.

O ofício, endereçado ao consórcio e à Secretaria de Estado da Casa Civil, exige estudos técnicos e laudos agronômicos que justifiquem a negativa. Cobra também critérios públicos de uso do estádio e tratamento igualitário entre os clubes.

Até a publicação desta matéria, não havia resposta do Consórcio, do governo do RJ, do Flamengo ou do Fluminense.

O Consórcio, administrado por Flamengo e Fluminense, negou formalmente o pedido do Vasco na segunda-feira (28), alegando desgaste do gramado pelo excesso de partidas na casa.

É a terceira negativa do consórcio ao clube só em 2026. As outras duas foram para os jogos contra Vitória e Palmeiras, pela Copa do Brasil, disputa que já foi parar na Justiça.

O impasse pelo local reabre uma disputa institucional mais antiga: desde 2023, o Vasco já recorreu à Justiça contra os administradores do Maracanã por causa do uso do estádio.

Como fica a briga pelo local do jogo?

Sem o Maracanã, a alternativa é São Januário, mas a capacidade homologada pelo Corpo de Bombeiros para o estádio está em 21,4 mil pessoas. O regulamento da Conmebol exige no mínimo 30 mil lugares para semifinais da Sul-Americana.

O Vasco apresentou à Conmebol laudos e plantas propondo ampliar a capacidade autorizada de São Januário, sem obras estruturais, e negocia com o Boca Juniors uma cota recíproca de ingressos para as duas torcidas.

Resta o Nilton Santos como última opção no Rio. A diretoria do Botafogo, que administra o estádio, já deu aval para a partida ali, mas o Boca Juniors resiste a jogar em gramado sintético.

O presidente do Vasco, Pedrinho, mantém diálogo direto com o mandatário do Boca Juniors, Juan Román Riquelme. "Contra o Boca Juniors a minha preferência sempre foi São Januário, mas temos que respeitar o regulamento da Conmebol", disse Pedrinho.

O que acontece agora

O jogo de ida é em 13 de outubro, às 21h30, na Bombonera, em Buenos Aires. A volta, com mando do Vasco, está marcada para 20 de outubro, às 21h, em local ainda a definir.

O impasse com o Maracanã não é o primeiro do clube: em agosto, o mesmo veto motivou uma ação na Justiça durante a Copa do Brasil.