Um estudo do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz), divulgado nesta terça-feira (29), mostrou que a PrEP injetável contra o HIV teve cobertura de 90,8% dos dias entre os usuários, contra 35,5% da versão oral. A incidência do vírus caiu na mesma proporção.

A pesquisa, batizada de ImPrEP CAB Brasil, comparou o cabotegravir injetável, aplicado a cada dois meses, com a PrEP oral já oferecida pelo SUS. Os resultados saíram na revista científica The Lancet HIV.

Entre os usuários do cabotegravir, houve 3 novas infecções por HIV, equivalente a 0,20 caso por 100 pessoas-ano. Na coorte com PrEP oral, foram 18 infecções, taxa de 1,48 caso por 100 pessoas-ano.

A versão oral registrou quase sete vezes mais contágios que a injetável no mesmo período de acompanhamento.

O estudo acompanhou 1.201 pessoas entre 18 e 30 anos, entre gays, outros homens que fazem sexo com homens, pessoas não binárias e homens e mulheres trans, em seis cidades: Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Florianópolis, Manaus e Salvador.

O recrutamento ocorreu entre outubro de 2023 e setembro de 2024, com acompanhamento até outubro de 2025.

O resultado chega num momento decisivo para a política pública. A Conitec já avalia se o SUS deve priorizar grupos vulneráveis na PrEP injetável, após consulta pública encerrada em agosto.

A expectativa é que o tema entre na pauta de outubro da Conitec, comissão que decide sobre a incorporação de novas tecnologias ao SUS. O cabotegravir já é aprovado pela Anvisa desde 2023.

O momento também é sensível para a resposta brasileira ao HIV. Em julho, uma conferência no Rio já havia mostrado que o Brasil está entre os 21 países com aumento de casos do vírus.

Ao mesmo tempo, o país avança na produção local do principal remédio contra o HIV, movimento que pode facilitar o acesso caso a Conitec aprove a incorporação do cabotegravir.