O presidente Lula (PT) ligou ao vivo para o ministro do STF Flávio Dino nesta terça-feira (29), durante evento em Belém (PA), antes de sancionar uma lei que Dino propôs quando era senador. O adversário Flávio Bolsonaro (PL) questionou a ligação.

Flávio, que também disputa a Presidência em 2026, perguntou se o ministro segue subordinado ao presidente.

Lula telefonou durante visita ao Hospital João de Deus, na capital paraense. "Estou te ligando. Estou ao vivo aqui. Eu não queria sancionar sem falar com você", disse o presidente.

Não foi possível ouvir a resposta de Dino ao vivo. Lula chegou a dizer que queria transmitir a resposta, mas depois deixou isso de lado.

Vou sancionar a lei da dor de um pai, o projeto de lei que você fez e foi aprovado por conta da morte do seu filho de 13 anos.

O que a lei sancionada muda

O texto cria uma estratégia nacional de controle e avaliação da qualidade da assistência à saúde prestada pela iniciativa privada, estendida à rede pública. Quem não cumprir as regras pode receber multas entre R$ 5.000 e R$ 500 mil.

Dino, então parlamentar, apresentou a proposta depois que seu filho de 13 anos morreu em 2012, em decorrência de um quadro de asma.

A família entrou na Justiça contra o Hospital Santa Lúcia, em Brasília, por suposta negligência médica, e só venceu a ação 13 anos depois.

Em 2025, o ministro fez uma homenagem ao filho no Instagram e informou que doaria o valor da indenização, de R$ 1,2 milhão, recebida ao fim do processo.

O que Flávio Bolsonaro questionou

A cena repercutiu entre adversários de Lula na corrida ao Planalto em 2026. Flávio Bolsonaro, que já acumula ataques ao presidente na disputa presidencial, publicou uma pergunta direta sobre a cena.

"Lula ligou para Flávio Dino como se fosse um político subordinado de seu governo. Será que Dino continua sendo subordinado do Lula no STF?", escreveu o senador no X.

Lula indicou Dino ao STF em 2023. Antes de chegar à Suprema Corte, Dino foi deputado federal, governador do Maranhão e ministro da Justiça entre 2023 e 2024, cargo que ocupou já sob o governo Lula.

O que acontece agora

A lei sancionada em Belém já está em vigor. Caberá aos órgãos de vigilância sanitária fiscalizar hospitais e planos de saúde pelo novo padrão de qualidade.

Dino segue no STF como relator de processos sensíveis ao Planalto, entre eles o inquérito que investiga possível elo entre um grupo político e o PCC. Já Flávio Bolsonaro segue a campanha que o PL oficializou à Presidência em julho.

Lula, por ora, não respondeu à provocação de Flávio Bolsonaro sobre a ligação.