O Brasil tem a 2ª maior reserva de terras raras do mundo, com 21 milhões de toneladas, 23% do total global. Mesmo assim, o país não tem capacidade de refino em escala comercial para esses minerais, essenciais para carro elétrico, turbina eólica e defesa, e segue exportando a matéria-prima bruta para quem processa fora.
Onde estão as reservas e o acordo com a Coreia do Sul
As jazidas brasileiras de terras raras se concentram em cinco estados: Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, segundo levantamento da Agência Brasil.
O país também é dono da maior reserva de nióbio do planeta, com 94% do total mundial, e da 2ª maior reserva de grafite, com 26% do total global.
Falta, porém, a etapa que concentra o lucro. Redes de laboratórios brasileiros já produzem protótipos de ímãs para motor elétrico e turbina eólica, mas ainda sem escala comercial para virar exportação de valor agregado.
Um sinal de mudança apareceu em julho. A sul-coreana POSCO International assinou memorando para negociar a compra de até 30% da produção do Projeto Caldeira, entre Caldas e Poços de Caldas (MG), por até sete anos.
O projeto produz neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, usados em ímãs permanentes de veículos elétricos, turbinas, robôs e equipamentos de defesa. O documento é um memorando não vinculante, e os valores definitivos dependem de contratos futuros.
O interesse por mineração no estado aparece em outras frentes. A Vale já propôs um plano para gerar 2,3 milhões de empregos na mineração até 2035.
Candidatos ao Senado por Minas também debatem elevar os royalties cobrados sobre a atividade no estado.
Por que a China lucra mais com terras raras que o Brasil
A resposta está no refino, não na extração. A China controla mais de 90% da capacidade mundial de refino e separação química de terras raras, segundo levantamentos do setor.
Desde o início de 2026, o país asiático restringe a exportação de 12 dos 17 elementos de terras raras reconhecidos. O efeito já apareceu no preço. Alguns elementos subiram até seis vezes, e a aprovação de licenças para empresas europeias caiu para menos de 25%.
A Agência Internacional de Energia estimou que a aplicação plena dessas restrições pode colocar em risco US$ 6,5 trilhões em produção industrial no mundo, da indústria automotiva à defesa. O comércio do Brasil com a China segue crescendo apesar dessas tensões globais por minerais críticos.
O que a TV Sim observa
O Brasil tem a reserva. Falta a fábrica. Um pesquisador da UFF ouvido pela Agência Brasil descreve o país como historicamente "primário-exportador", sem a infraestrutura de processamento que agrega valor ao minério antes de vendê-lo.
O memorando com a POSCO ainda não é contrato fechado. A pergunta que fica é se o Brasil vai repetir o padrão de exportar a rocha e deixar o refino, que concentra o lucro, para fora do país.


























