Um suspeito armado invadiu a Escola Municipal Frei Gaspar, em Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, na manhã desta segunda-feira (24) para fugir de uma operação policial. Ele abandonou o fuzil dentro da unidade e vestiu um uniforme de cozinha para se passar por merendeiro. Foi detido antes do início das aulas.
A ação foi conduzida pelo 31º Batalhão de Polícia Militar (BPM), de Recreio dos Bandeirantes, na comunidade Pombo sem Asa. Segundo a corporação, o objetivo era conter o avanço de grupos armados na fronteira entre Recreio, Vargem Grande e Vargem Pequena.
Ao perceber a aproximação das equipes policiais, o suspeito pulou o muro da escola pela Estrada dos Bandeirantes e entrou no prédio. Lá dentro, trocou de roupa e tentou se misturar aos funcionários da cozinha para escapar da varredura.
A Polícia Militar identificou o suspeito como Emanoel Ricardo Silva Ferreira, um dos quatro detidos na operação. Ao todo, a PM apreendeu dois fuzis e três pistolas, incluindo o fuzil abandonado dentro da própria escola.
Como a escola reagiu
Segundo nota da Secretaria Municipal de Educação, "a gestão da escola acionou a Polícia Militar assim que percebeu a presença do homem armado". As aulas foram transferidas para a Escola Municipal Teófilo Moreira, para preservar a segurança de alunos e funcionários.
O plano de se passar por merendeiro foi o que quase permitiu ao suspeito atravessar a varredura sem ser notado. Ele foi detido por volta das 10h46, pouco antes do horário normal de início das aulas.
A ação de hoje não é isolada. Reportagens do início de agosto já mostravam Vargem Grande como um dos focos da disputa territorial na Zona Sudoeste do Rio.
O Comando Vermelho tenta avançar sobre uma área historicamente controlada pela milícia, que reagiu formando aliança com traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP) para conter o avanço rival. O mesmo 31º BPM já vinha concentrando operações na região desde então.
Nos primeiros dias de agosto, a corporação já havia feito ações em dias seguidos nas comunidades da região, com apreensão de armas, munições e drogas. É essa disputa entre facções que explica a sequência de operações na área.
Em julho, uma operação na mesma comunidade já havia apreendido fuzis, granadas e kits para adaptar drones ao lançamento de explosivos.
O material reforça a avaliação da polícia de que o grupo rival vem se armando na região.


























