O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste domingo (23), em entrevista à Record, que vai anunciar o fim da chamada taxa das blusinhas na quarta-feira (26), após reunião com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o da Câmara, Hugo Motta.
A medida provisória (MP) nº 1357 suspendeu, desde maio, a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoa física. Ela perde validade em 8 de setembro se o Congresso não votar antes.
O texto precisa ser aprovado durante a semana de esforço concentrado legislativo, entre 31 de agosto e 4 de setembro. A reunião de quarta-feira é o encontro que Lula busca para garantir apoio de Motta e Alcolumbre antes da votação.
Acima de US$ 50, a compra internacional continua taxada em 60%, e em qualquer valor segue a cobrança do ICMS estadual, de 17%.
Entidades da indústria e do varejo nacional criticam a mudança. Roberto Muniz, diretor de Relações Institucionais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), disse que o fim da taxa ameaça setores inteiros.
Haverá setores, como o setor têxtil em algumas regiões, o setor de calçados, essas indústrias podem ser dizimadas por uma concorrência desleal.
Muniz também afirmou que o impacto vai além das fábricas. "No dia que uma indústria fecha, fecha uma escola e fecha um hospital", disse o diretor da CNI.
Carlos Eduardo Oliveira Jr., presidente do Sindicato dos Economistas de São Paulo, reconhece o benefício ao consumidor, mas também vê risco para o comércio brasileiro.
O curto prazo até 8 de setembro é o que transforma a reunião de quarta-feira em um encontro decisivo: sem acordo político nela, o texto corre o risco de não chegar a tempo ao plenário.
"Embora o fim da taxa favoreça o consumidor no curto prazo, ele representa um desafio relevante para as empresas de varejo brasileiras", afirmou Oliveira Jr.
Nem todos avaliam o cenário como negativo. O economista Alexandre Espírito Santo, professor da ESPM, afirma que parte do mercado exagera ao tratar o fim da taxa como uma mudança estrutural devastadora.
Ele reconhece, porém, que a diferença de preço pode pesar na decisão de compra do consumidor de menor renda.


























