O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (24) que o Irã "está completamente colapsando". A declaração veio horas antes de o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, anunciar um novo pacote de sanções contra o país, batizado por Trump de "Dia D Econômico". O petróleo Brent era negociado a cerca de US$ 94 o barril.
Bessent descreveu a medida como "a maior ofensiva financeira de todos os tempos". Em artigo no Financial Times, escreveu que o objetivo é "cortar todo fluxo econômico que sustenta o regime tirânico até que Teerã fique sozinho".
Bessent citou países que ainda comercializam com o Irã, entre eles a China, que segundo ele compra historicamente cerca de 90% do petróleo iraniano.
Com a expectativa das sanções, o rial, moeda iraniana, caiu à mínima histórica frente ao dólar. O governo Trump exige que aliados dos EUA parem de negociar com Teerã e promete usar "todo o seu poder" contra quem não seguir a orientação.
Nem todo mundo acredita no efeito da medida. O ex-diplomata americano Alan Eyre foi cético: "there are no new sanctions that are effective" (não há sanções novas que sejam eficazes), disse. O Irã, por sua vez, prometeu responder às sanções "de forma sísmica".
O que muda no preço lá na bomba
O conflito entre EUA/Israel e o Irã dura desde fevereiro. O Irã bloqueou parte do Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia, um quarto do comércio mundial do produto.
A avaliação é de Mahatma Ramos, diretor técnico do INEEP (Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis Zé Eduardo Dutra). "O Brasil não é um dos países mais expostos a essa volatilidade nos preços do mercado internacional", diz Ramos.
Segundo ele, o Brasil importa 23% da demanda por combustíveis e é autossuficiente em petróleo bruto, mas não nos derivados. É por isso que a guerra no Oriente Médio mexe no posto de gasolina brasileiro, mesmo sem o país depender do petróleo iraniano.
Ramos credita o amortecimento a um fator interno: "desde 2023 até agora, essa nova política da Petrobras operou de maneira bem robusta para mitigar os efeitos da volatilidade".
O preço na bomba tem cinco componentes, segundo o especialista: o valor cobrado pela refinaria, o preço do etanol misturado por lei, os tributos federais, os tributos estaduais e a margem de distribuidoras e postos.
Relembre o caso
É um novo capítulo da escalada que já custou caro ao consumidor brasileiro. Em abril, a expiração de um cessar-fogo entre EUA e Irã levou o petróleo a US$ 91 o barril, e a gasolina importada subiu quase 80%, segundo a ANP.
Na ocasião, o governo brasileiro avaliou prorrogar o subsídio à gasolina para conter o repasse ao consumidor. Já a ameaça de um "Dia D Econômico" contra Teerã havia sido anunciada por Trump em fase de aviso, antes de Bessent detalhar o pacote nesta segunda.




























