O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse nesta quinta-feira (20) que a prestação de contas do filme “Dark Horse”, biografia de Jair Bolsonaro, “já foi realizada” e classificou o caso como “página virada”. Ele não detalhou valores recebidos, gastos ou destino dos recursos, durante agenda de campanha em São Paulo.

A declaração aconteceu em São Miguel Paulista, na zona leste da capital paulista.

O caso veio à tona depois que a TV Sim revelou que Flávio negociou R$ 134 milhões com o banqueiro do Master para financiar o filme sobre o pai. Desde a revelação, ele evita detalhar os termos do acordo.

“Olha, já aconteceu... Então, na nossa parte está tudo, página virada”, disse Flávio Bolsonaro.

Segundo ele, a prestação de contas do filme já foi feita e ele teve acesso porque foi “vazada do processo”. Ainda assim, não apresentou valores, gastos ou o destino dos recursos publicamente.

O senador direcionou a cobrança ao presidente Lula. “Quem deve explicação agora é o PT, que é o governo mais corrupto e incompetente da história do Brasil”, afirmou.

“Quem tem que prestar contas é o Lula. É ele que recebe Augusto Lima e Vorcaro lá”, completou.

Em maio, à CNN, Flávio havia dito estar “100% disposto” a tornar público o contrato de financiamento do documentário, condicionado a regras de compliance de um fundo privado americano.

Três meses depois, o prazo que ele mesmo deu passou e os detalhes não vieram.

Seguem sem esclarecimento o valor exato transferido, estimado em R$ 61 milhões, e a participação do banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Uma perícia apontou custo real do filme em torno de R$ 75 milhões.

A Polícia Federal investiga o caso em sigilo desde julho. Foi desse processo, segundo Flávio, que vazou a prestação de contas que ele diz ter visto.

Ele mesmo, porém, nunca a tornou pública, como havia prometido em maio.