O Republicanos anunciou nesta quarta-feira (29) que o senador Cleitinho Azevedo não será o candidato do partido ao governo de Minas Gerais em 2026. Em nota divulgada pela manhã, a legenda afirmou que "uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la" e que "tal decisão nunca aconteceu". O posicionamento foi apresentado pelo presidente estadual do partido, Euclydes Pettersen.
Ainda nesta quarta, a assessoria do senador contrariou a posição oficial da sigla e declarou que ele "será candidato ao Governo de Minas Gerais nas eleições de 2026". Cleitinho convocou um pronunciamento em praça pública para a noite desta quarta, na Praça do Santuário, região central de Divinópolis, sua cidade natal. A convocação foi feita pelo senador e pela equipe nas redes sociais, com a frase: "Conto com o apoio de vocês. Do povo. Vamos esclarecer a verdade". Também era esperada a presença de Luís Eduardo Falcão, ex-prefeito de Patos de Minas (Republicanos), cotado como possível vice na chapa.
Partido diz que esperou meses por uma definição
Segundo o Republicanos, o partido aguardou meses por um posicionamento do senador. Em outro trecho da nota, a legenda afirmou que "o partido esteve pronto" e que "a candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la", acrescentando que a indefinição prejudicou a construção de um projeto coletivo.
O ponto de ruptura apontado pela sigla foi a convenção estadual de 25 de julho, em Belo Horizonte, à qual Cleitinho não compareceu. Na ocasião, Pettersen havia dito: "Cleitinho, nós respeitamos a sua decisão. O que decidir será acatado por este partido". O senador havia adiado cinco vezes a confirmação da candidatura.
No dia 28 de julho, Cleitinho publicou um vídeo produzido com inteligência artificial em que dialoga com o pai e o irmão, já falecidos, e recebe deles o conselho de "fazer o que tem que ser feito". Seu irmão gêmeo, Gleidson Azevedo, interpretou a publicação como um sinal de que ele disputaria o governo.
Marcelo Aro entra no lugar
Com a decisão, o Republicanos passa a apoiar Marcelo Aro (PP) na disputa pelo Palácio Tiradentes. O apoio foi construído em reunião com a participação de Aro, do senador Flávio Bolsonaro e do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira. Aro articulava inicialmente uma candidatura ao Senado na chapa do governador Mateus Simões (PSD), antes de migrar para a corrida ao governo estadual. A movimentação influencia a estratégia do PL para a formação do palanque de Flávio Bolsonaro em Minas Gerais.
O impasse ocorre a poucos dias do prazo eleitoral: as convenções partidárias estão previstas até 5 de agosto. Na tarde desta quarta, Marcos Pereira exigiu uma definição até o fim do dia, e aliados de Cleitinho afirmaram que ele continuaria candidato, "salvo se o partido optar por Marcelo Aro".














