O Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu nesta quarta-feira (29) manter a faixa-alvo dos juros americanos entre 3,5% e 3,75% ao ano. É a quinta reunião consecutiva sem mudança na taxa.
A decisão do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) não foi unânime: o placar foi de 9 votos a 3. Beth M. Hammack, Neel Kashkari e Lorie K. Logan votaram contra, porque preferiam elevar a taxa em 0,25 ponto percentual. Os três comandam, respectivamente, as distritais de Cleveland, Minneapolis e Dallas.
O que diz o comunicado
No texto divulgado às 15h (horário de Brasília), o comitê afirma que "a inflação permanece elevada em relação à meta de 2% do comitê", atribuindo o quadro em parte a choques de oferta em setores como o de energia. Sobre o mercado de trabalho, o Fed diz que "a geração de vagas acompanhou o ritmo da força de trabalho e a taxa de desemprego mudou pouco".
O comunicado cita ainda uma "incerteza elevada que se deve, em parte, ao conflito no Oriente Médio". O Fed não sinalizou os próximos passos: apenas reafirmou o compromisso de entregar estabilidade de preços e de manter reservas amplas no sistema bancário.
Esta foi a segunda reunião sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do Fed em maio. Segundo o InfoMoney, a decisão despertou dúvidas sobre como Warsh cumprirá a promessa de reduzir a inflação americana.
O efeito no Brasil
O anúncio mexeu com o câmbio brasileiro à tarde. O dólar comercial passou de leve alta para leve queda ante o real depois da divulgação: às 15h06, recuava 0,15%, cotado a R$ 5,114 na venda, segundo o InfoMoney. Cerca de uma hora antes, às 14h05, a moeda ainda subia 0,13%, na casa de R$ 5,127, conforme a CNN Brasil. O dólar futuro para agosto caía 0,30% na B3, aos R$ 5,1165.
A sessão já vinha pressionada por outro fator externo: o petróleo Brent subia quase 7%, acima de US$ 89 o barril, depois de novos ataques no Oriente Médio. Às 14h, o Ibovespa recuava mais de 1,15%, aos 174,5 mil pontos.
No cenário doméstico, os investidores repercutiam o IPCA-15 de julho, que reforçou as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, segundo o InfoMoney. A taxa básica brasileira começou 2026 em 15% ao ano — o nível mais alto em cerca de duas décadas, conforme o JOTA — e foi reduzida para 14,25% ao ano na reunião de junho, de acordo com a Agência Brasil.














