O governo federal anunciou nesta quarta-feira (29) um pacote de R$ 1,335 bilhão para prevenir e mitigar os efeitos do El Niño previsto para o período 2026/2027. O plano foi apresentado em reunião ministerial no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A maior fatia dos recursos — R$ 850 milhões — vai para a segurança alimentar, com a compra de 310 mil toneladas de arroz e 180 mil toneladas de milho para reforçar os estoques públicos diante do risco de quebra de safra.
Lula afirmou que, se o fenômeno for grave, o governo está preparado, e que o difícil é quando acontece algo para o qual ninguém se preparou. No início de julho, a probabilidade de o El Niño ser muito forte no fim de 2026 foi estimada em 81%. Os impactos climáticos podem se estender até 2027.
Como o dinheiro será dividido
Além dos R$ 850 milhões dos estoques de grãos, o pacote destina R$ 337 milhões à prevenção e ao combate a incêndios, R$ 65 milhões à compra de 350 mil cestas de alimentos, R$ 45 milhões a centros de clima e saúde e ao ForSUS, R$ 25 milhões ao monitoramento de rios e R$ 13 milhões a um programa voltado a agricultores da Região Norte.
A articulação envolve mais de 20 ministérios e órgãos federais, reunidos na Sala de Situação do El Niño, que coordena o acompanhamento do fenômeno e sincroniza as respostas com autoridades estaduais e municipais. Entre as frentes de trabalho estão as operações de combate a incêndios, o acompanhamento da logística de combustíveis e alimentos, a gestão do abastecimento de água e energia e o reforço do sistema de saúde.
O que o governo projeta para cada região
Segundo as projeções apresentadas, o fenômeno deve provocar seca mais intensa no Norte, com risco elevado de incêndios florestais, atraso das chuvas no Centro-Oeste e no Sudeste e chuvas acima da média no Sul, com ameaça de enchentes e deslizamentos.
No Nordeste, o governo diz não haver previsão de falta de água: os reservatórios estão em níveis adequados e a operação do Rio São Francisco segue normal. No Sul, as ações incluem sistemas de alerta de cheias, prontidão da defesa civil, intervenções em barragens e recursos para a reconstrução do Rio Grande do Sul. No Sudeste, o foco é a vigilância sobre os sistemas de abastecimento de São Paulo e do Rio de Janeiro, com gestão coordenada dos sistemas Cantareira e Paraíba do Sul. No Norte, o governo monitora os níveis dos reservatórios das hidrelétricas.














