Na disputa pelo governo de Minas em 2026, o MDB escolheu apostar num nome forjado na política municipal de Belo Horizonte: Gabriel Sousa Marques de Azevedo, ex-presidente da Câmara Municipal da capital. A avaliação interna do partido é que faltavam candidatos de centro em Minas, e o lançamento dele, oficializado em 4 de novembro de 2025 em evento com o presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, e o presidente estadual, Newton Cardoso Júnior, veio para ocupar esse espaço. No momento do anúncio, ele era o terceiro pré-candidato ao Palácio Tiradentes, depois do governador Mateus Simões (PSD), que busca a reeleição, e de Alexandre Kalil (PDT).

Mineiro de Belo Horizonte, nascido em 12 de março de 1986, Gabriel se apresenta como filho de "Dona Karminha e do Seu Gilson" — o pai foi policial civil. Formou-se na Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, tornou-se advogado e mestre em Direito, e somou à formação uma pós-graduação em competitividade global pela Universidade Georgetown, nos Estados Unidos, e um mestrado em cidades pela London School of Economics, no Reino Unido. Dá aulas desde 2014, na área de Direito Constitucional.

A vida pública começou cedo: ele participa de campanhas eleitorais desde 2006 e, entre 2011 e 2014, foi subsecretário de Estado da Juventude no governo Antônio Anastasia (PSDB), tocando programas voltados a jovens de 15 a 29 anos para reduzir a evasão escolar e a mortalidade de jovens pelo crime. Depois de um período dedicado ao mestrado e à docência, elegeu-se vereador de Belo Horizonte em 2016, com 10.185 votos — o nono mais votado da cidade —, e foi reeleito em 2020 com 13.088 votos. Em 2021, presidiu a Comissão de Legislação e Justiça da Casa.

A presidência da Câmara: devolução recorde e tarifa mais barata

Em 12 de dezembro de 2022, Gabriel foi eleito presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte com 21 votos, para o biênio 2023-2024. É desse período o número que virou seu principal cartão de visita: o Legislativo municipal devolveu mais de R$ 149 milhões aos cofres da prefeitura — quase 40% do orçamento da Casa em 2023, que era de R$ 399,17 milhões —, incluindo R$ 49,8 milhões restituídos de uma só vez em excedente orçamentário. À época, ele disse esperar que o valor fosse "bem utilizado ao atendimento do município" e se comprometeu a "continuar a boa execução orçamentária até o último dia do exercício de 2024".

No mesmo período, a Câmara aprovou a lei que reduziu a tarifa de ônibus da capital de R$ 6,00 para R$ 4,50, mudou a remuneração das empresas de passageiro transportado para quilômetro rodado, converteu o passe estudantil em gratuidade integral e criou gratuidades para pacientes em tratamento de saúde, mulheres vítimas de violência e desempregados. A gestão também reabriu um restaurante popular fechado desde março de 2020, com refeição a R$ 3,00 para cerca de mil pessoas por dia, retirou as grades que cercavam o Legislativo havia seis anos e devolveu a Praça da Constituição ao público.

No balanço final, em dezembro de 2024, a Mesa Diretora comemorou 682 projetos analisados em Plenário nos dois anos — 393 em 2023 e 289 em 2024 — e a criação do portal BH pra Você, feito em parceria com a Fundação Dom Cabral para abrir os dados do orçamento municipal ao cidadão. "Isso é resultado de um trabalho em conjunto muito louvável de todos desta Câmara Municipal", afirmou Gabriel na última sessão do biênio, destacando que todos os projetos de autoria do Executivo foram analisados: "Nem todos foram aprovados, claro, pois somos uma Câmara independente".

Em 2024, disputou a Prefeitura de Belo Horizonte e terminou em quarto lugar, com 133.728 votos. Ao longo de oito anos como vereador, não abandonou o cargo para o qual foi eleito para disputar outro no meio do mandato — hoje, preside o MDB de Belo Horizonte e a Fundação Ulysses Guimarães em Minas.

O projeto para Minas: ferrovia, fila do SUS transparente e dez governos regionais

Para o estado, Gabriel antecipou as linhas do plano de governo. Em infraestrutura, defende a expansão da malha ferroviária — ligando Chaveslândia a Uberlândia e Pirapora ao Noroeste mineiro, além de reforçar o transporte de cargas na região metropolitana — tratada como política de Estado: "Ferrovia leva tempo. Ela não pode ser a causa de um governo de quatro anos". Na saúde, propõe tornar públicas as filas do SUS, com o paciente acompanhando posição, tempo de espera e local. Na educação, o lema é medir resultado: "O foco é o aprendizado das crianças".

Na gestão, a proposta mais ambiciosa é a descentralização: "Nós estamos propondo a criação de dez governos regionais", sem aumento de cargos, ao lado de uma agência independente, com corpo técnico permanente, para avaliar as políticas públicas prestando contas à sociedade — não ao governador. Para a economia, já anunciou o economista Marcos Lisboa como futuro secretário da Fazenda numa eventual gestão. Completam a plataforma o combate ao feminicídio e ao crime organizado, o apoio às mães atípicas e a igualdade da mulher no mercado de trabalho.