O barril do petróleo Brent, referência internacional, subiu 7% nesta quarta-feira (29) e foi a US$ 89,94 no mercado futuro. O contrato do WTI, referência negociada nos Estados Unidos, avançou 6,9%, a US$ 84,69.
A disparada veio depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país atingiria o Irã em retaliação a um ataque contra forças americanas no Oriente Médio. "Vamos atingi-los com força", declarou. O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica havia disparado mísseis balísticos contra uma base aérea e um centro de comando dos Estados Unidos na Jordânia, alegando ter imobilizado três aviões-tanque.
O movimento desta quarta reverteu a queda da véspera. Na terça-feira (28), o Brent para entrega em setembro fechou em baixa de 4,83%, a US$ 84,09, no mercado de futuros de Londres, em meio à expectativa de progresso diplomático entre americanos e iranianos após uma pausa nos ataques. Em 23 de julho, a commodity chegou a bater US$ 100, com alta de 6,30%, também puxada pelas tensões entre Washington e Teerã.
O que isso significa para os combustíveis no Brasil
Os preços praticados pela Petrobras nas refinarias já vinham bem abaixo do mercado internacional antes da alta desta quarta. Pelos cálculos da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), no fechamento de sexta-feira, 24 de julho, a defasagem era de 58% no diesel e de 45% na gasolina.
Nas refinarias da estatal, a conta era ainda maior: na média, o diesel estava 69% abaixo do preço de paridade de importação (PPI) e a gasolina, 54% abaixo. No porto de Suape, o diesel importado era comercializado a R$ 5,44 por litro, uma diferença de R$ 2,27 em relação ao preço de venda da Petrobras — o equivalente a 72% de defasagem.
O contraste aparece na comparação com a concorrência. Na Acelen, que controla a Refinaria de Mataripe, na Bahia, o diesel era negociado apenas 1% abaixo do preço internacional e a gasolina, 2% abaixo, após reajustes feitos na semana anterior.
Últimos reajustes da estatal
O último reajuste do diesel pela Petrobras ocorreu em 1º de junho, com redução de R$ 0,35 por litro — mesmo valor de um subsídio do governo então vigente, depois substituído por outro, de R$ 1,12 por litro. Na gasolina, o último movimento foi em 29 de maio, com aumento de R$ 0,48 por litro, compensado por subsídio de R$ 0,44 por litro, o que resultou em alta líquida de R$ 0,04 por litro para as distribuidoras.














