O Brasil vive uma queda geral nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), mas Minas Gerais está no grupo de estados em que os casos graves de gripe seguem elevados. É o que mostra o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), divulgado na quinta-feira (23).
Segundo o levantamento, os casos graves associados à influenza A permanecem altos em quatro estados: Acre, Minas Gerais, Paraná e Roraima. Além disso, Minas aparece na lista de unidades da federação em que a influenza B ainda está em crescimento, ao lado de Distrito Federal, Goiás, Rio de Janeiro e Santa Catarina — um cenário que se explica pela virada de temporada: a onda de influenza A já se encerrou em boa parte do país, enquanto o subtipo B ganha espaço no fim do inverno.
Belo Horizonte também está entre as capitais monitoradas com incidência em nível alto e sinal de crescimento, junto de Boa Vista, Curitiba, Florianópolis, Goiânia, Manaus, Palmas, Porto Alegre e Rio Branco. Em Minas, o boletim aponta que a alta da influenza B se concentra principalmente em crianças menores de 2 e de 4 anos, a faixa etária que mais ocupa leitos pediátricos no período frio.
Os números do país
Desde o início de 2026, o Brasil notificou 120.920 casos de SRAG, dos quais 63.698 tiveram confirmação laboratorial para algum vírus respiratório. Nas quatro semanas mais recentes analisadas pela Fiocruz, o vírus sincicial respiratório (VSR) respondia por 58,5% das amostras positivas, seguido por rinovírus (24,6%), influenza A (9,1%), influenza B (8,8%) e Sars-CoV-2 (1,5%).
Apesar de já não ser o vírus mais frequente nas notificações, a influenza A continua sendo a principal causa de morte entre os casos confirmados de SRAG — um indicador de que a gripe segue perigosa mesmo quando o número de infecções cai. Em boletim anterior, do início de julho, a influenza A aparecia em 33,1% dos óbitos com vírus identificado, e a influenza B, em 15,4%.
Caso de João Gomes reacende o alerta
A doença voltou ao centro do noticiário no fim de semana. O cantor João Gomes foi internado no Real Hospital Português, no Recife, na sexta-feira (24), depois de ser diagnosticado com influenza, e recebeu alta no sábado (25). Por orientação médica de repouso, ele cancelou a apresentação no Festival Pernambuco Meu País, em Salgueiro (PE), e o show em Riachão do Jacuípe (BA). O artista se recupera em casa.
O episódio ilustra o que os infectologistas repetem a cada inverno: a gripe não é apenas um resfriado forte e pode levar à hospitalização mesmo em adultos jovens e saudáveis. A vacina contra a influenza segue disponível na rede pública, e a campanha de 2026 em Minas Gerais recebeu 1,5 milhão de doses do Ministério da Saúde. Sinais de alerta que exigem atendimento imediato incluem falta de ar, febre persistente por mais de três dias, dor no peito e queda da saturação de oxigênio.
















