O banqueiro Daniel Vorcaro presta depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (20), por videoconferência, sobre a suspeita de contratação de influenciadores digitais para atacar o Banco Central. O alvo era a negociação de compra do Banco de Brasília (BRB).

Dono do extinto Banco Master, ele está preso desde 4 de março.

O depoimento integra a Operação Compliance Zero, que apura fraudes bilionárias no banco liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025.

Na semana seguinte, Vorcaro deve depor outra vez, agora sobre fraudes com cartas de crédito de R$ 12 bilhões negociadas entre o Master e o BRB.

Mensagens recuperadas no celular de Vorcaro e anexadas ao inquérito mostram que ele mantinha contatos dentro do próprio Banco Central antes da liquidação.

Em outubro de 2025, um servidor do órgão, Belline Santana, criou um grupo de mensagens para, segundo escreveu, "facilitar" a interlocução com o banqueiro.

Meses antes, outro servidor do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, já havia avisado Vorcaro sobre uma movimentação: R$ 488,8 milhões saíram do fundo Reag Growth 95 e R$ 545,5 milhões entraram na Master Holding Financeira.

Vorcaro chegou a dizer que obtinha informações de "pessoas de dentro do Bacen que são meus amigos".

Em outro trecho, Vorcaro pediu ajuda para resolver um bloqueio da Mastercard. "Somente vou conseguir resolver se Bacen der uma batida", escreveu, segundo as mensagens citadas na investigação.

Ele também pediu a opinião de um diretor do BC sobre uma minuta de ofício ligada à cessão de carteiras de crédito ao BTG, e recebeu de volta a confirmação de que o pedido seria atendido "nos mesmos moldes" de um caso anterior.

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) identificou, ainda em dezembro de 2025, um volume atípico de postagens sobre a liquidação do Master com menções à entidade — achado que motivou parte do inquérito sobre influenciadores contratados.

A Procuradoria-Geral do Banco Central autorizou o envio de uma denúncia em 17 de novembro de 2025, um dia antes da liquidação extrajudicial do Master.

O BRB, banco público do Distrito Federal, havia comprado R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito consignado do Master antes da crise. É sobre essa negociação que a Polícia Federal investiga se Vorcaro financiou ataques ao Banco Central.

A investigação também rastreia o patrimônio da família do banqueiro. Uma empresa ligada ao cunhado dele, Fabiano Zettel, pagou R$ 4,8 milhões por um sítio vendido por Vorcaro, negócio hoje sob suspeita da Polícia Federal.

Vorcaro está preso desde 4 de março, quando a Justiça determinou nova prisão. O pai dele, Henrique Vorcaro, também está preso, e outros familiares seguem sob investigação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

O julgamento do caso pela CVM está marcado para 8 de setembro.