O petróleo Brent subiu 2,66% no fim de semana, a US$ 84,50 o barril, após um ataque de drones ucranianos matar ao menos 13 pessoas numa refinaria russa neste domingo (9) e o Irã manter condições para reabrir o Estreito de Ormuz. A alta amplia a defasagem dos combustíveis no Brasil, hoje de até 58% na Petrobras.
O ataque atingiu a refinaria TANECO, da petrolífera Tatneft, na cidade de Nizhnekamsk, no Tartaristão, a cerca de 1.000 km da fronteira com a Ucrânia. Segundo o prefeito da cidade, ao menos 13 pessoas morreram e outras 50 ficaram feridas.
A agência estatal russa TASS classificou o ataque como "maciço". A região decretou um dia de luto pelas vítimas.
No Oriente Médio, o Irã afirma que um acordo com Omã para novas rotas de navegação no Estreito de Ormuz está em fase final.
O país mantém, porém, condições para os Estados Unidos: suspender o bloqueio naval e as sanções, retirar tropas da região, pagar reparações de guerra e liberar ativos iranianos congelados.
Os dois fatos, em lados opostos do globo, pressionam o mesmo mercado.
Onde o Brasil sente primeiro
O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome. Norte e Nordeste são as regiões mais dependentes dessa importação.
O Norte tem só a refinaria Isaac Sabbá, no Amazonas. O Nordeste conta com as unidades de Abreu e Lima (PE), Clara Camarão (RN) e Mataripe (BA). O custo extra de transporte até essas regiões já deixa o preço mais alto e mais sensível a choques internacionais.
A defasagem entre o preço da Petrobras e a paridade internacional já chega a 45% na gasolina e 58% no diesel, segundo a Abicom, associação dos importadores de combustíveis.
Em algumas refinarias, como a de Suape, a diferença passa de 70%. A estatal não reajusta o diesel desde 1º de junho, nem a gasolina desde 29 de maio.
Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei Complementar 114/2026 prevê zerar ou reduzir impostos sobre diesel, etanol e gasolina em momentos de alta anormal do petróleo internacional, citando guerras no Oriente Médio como gatilho.
O texto deve entrar na pauta da semana de esforço concentrado. A reunião do colégio de líderes que vai definir a pauta está marcada para esta terça-feira (11).
O que pode segurar o preço no posto
A Petrobras não reajusta o diesel desde 1º de junho, nem a gasolina desde 29 de maio. O represamento depende de decisão da própria estatal, sem prazo certo. O PLP 114/2026 entra na pauta da Câmara nesta semana. Se sair do papel a tempo, é hoje a única alternativa concreta em tramitação para segurar o repasse ao consumidor final.














