O Brasil registrou 20.506 candidaturas para as eleições de 2026, segundo o TSE, 8,7 mil a menos que em 2022. É a primeira queda no número de candidatos desde 2006. O prazo de registro terminou no sábado (15) e a explicação passa por regras mais rígidas para os partidos, não por desinteresse dos eleitores.

Com dados atualizados até esta segunda-feira (17), a distribuição por cargo mostra 11.090 registros para deputado estadual, 7.627 para deputado federal, 314 para o Senado (54 vagas, 5,83 candidatos por vaga), 195 para governador e 13 para presidente da República.

Por que o número de candidatos caiu?

Três fatores explicam a queda, segundo o TSE. O primeiro é a redução no número de partidos: de 32 legendas em 2022 para 30 em 2026.

O segundo é a cláusula de desempenho, que ficou mais rigorosa. Para manter acesso ao Fundo Partidário e ao tempo de TV, o partido precisa atingir 2,5% dos votos válidos para a Câmara.

Essa votação tem de estar distribuída em pelo menos um terço dos estados, com no mínimo 1,5% dos votos válidos em cada um.

O terceiro é o aumento das federações partidárias, que passaram de três para cinco desde 2022. Ao reunir siglas sob uma legenda só, elas concentram candidaturas que antes seriam lançadas separadamente.

Hoje estão em vigor cinco federações: PSDB-Cidadania, PSOL-Rede, Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV), Renovação Solidária e União Progressista.

A regra já vinha reduzindo a bancada dos pequenos partidos no Congresso. Em 2018, 30 partidos elegeram ao menos um deputado federal. Em 2022, caiu para 19.

Hoje, são 17.

A queda foi igual em todos os cargos?

Não. Para governador, os registros caíram de 223 candidaturas em 2022 para 195 em 2026, queda de 12,5%.

No Distrito Federal, porém, a disputa ficou mais concorrida que a média nacional. São 420 candidatos para 24 vagas na Câmara Legislativa, proporção de 17,5 candidatos por vaga.

No conjunto dos estados, a proporção para deputado estadual é de 10,71 candidatos por vaga, bem menor que a do DF.

O que a fragmentação menor ainda deixa em aberto

É a primeira vez em quase 20 anos que o Brasil tem menos candidatos do que na eleição anterior. A regra reduziu o número de partidos com força para lançar chapa, mas não reduziu a disputa em todos os níveis, como mostra o Distrito Federal.

Falta saber se menos partidos no primeiro turno de 2026 significa menos fragmentação no Congresso que sair das urnas em outubro, ou se o efeito fica só no número de candidatos, sem mudar o resultado final.