A Petrobras identificou sinais de petróleo no poço Morpho, na Bacia da Foz do Amazonas, a 175 quilômetros da costa do Amapá, em lâmina d'água de 2.886 metros. A presidente da estatal, Magda Chambriard, confirmou a descoberta, mas disse que ainda não há garantia de viabilidade econômica para produção.

O intervalo com hidrocarbonetos foi identificado por perfis elétricos e indicadores em rocha. Segundo a Petrobras, o resultado é o primeiro da campanha de perfuração exploratória na Margem Equatorial desde a liberação da licença ambiental pelo Ibama, em outubro de 2025.

"É uma descoberta, mas ainda não há comprovação de viabilidade econômica para produção", disse Chambriard à agência Reuters.

Por que a licença demorou quase dois anos para sair

O Ibama negou o primeiro pedido da Petrobras para perfurar o bloco FZA-M-59 em 2023, alegando inconsistências técnicas no projeto e dados insuficientes sobre a fauna marinha da região.

Em fevereiro de 2025, o presidente Lula chamou as negativas seguidas de "lenga-lenga" e disse que o objetivo era autorizar a pesquisa, não a exploração imediata. A licença para a fase exploratória só saiu em outubro, depois que a Petrobras apresentou estudos e ajustes adicionais.

A autorização do Ibama excluiu a fase de produção e impôs condições: monitoramento em tempo real e 13 embarcações de apoio prontas para conter eventual vazamento.

O que preocupa ambientalistas na região

A Foz do Amazonas concentra manguezais, recifes de coral e biodiversidade marinha pouco estudada, segundo críticos do projeto ouvidos pela imprensa. A avaliação é que a região tem alta sensibilidade ambiental, o que motivou anos de resistência de organizações ambientais à liberação da licença.

O histórico recente reforça a preocupação. Em 4 de janeiro de 2026, um vazamento foi registrado no próprio poço Morpho. Um laudo técnico do Ibama apontou que, mesmo em pequeno volume, os resíduos de substâncias químicas persistentes no ambiente foram suficientes para causar efeitos tóxicos em organismos marinhos na área afetada.

A Petrobras diz manter o que classifica como a maior estrutura de resposta ambiental do país montada para uma operação no mar, com protocolos de emergência exigidos pelo próprio Ibama como condição da licença.

A estatal ainda vai realizar testes de formação para confirmar o volume e a qualidade do óleo encontrado. Só depois desse resultado a empresa poderá declarar se o achado é comercialmente viável.

A campanha de perfuração na Margem Equatorial segue ao longo de 2026, com novos poços na região.

O que falta para saber se há petróleo comercial

A Petrobras não informou prazo para concluir os testes que vão dizer se o volume encontrado no poço Morpho é grande o suficiente para virar produção. É esse resultado, e não o anúncio desta semana, que vai definir se a Margem Equatorial se torna de fato uma nova fronteira de óleo para o país.