A Margem Equatorial, no litoral do Amapá e do Maranhão, pode ter entre 6 e 10 bilhões de barris de petróleo, segundo estimativas de especialistas. É até 83% do volume do pré-sal clássico, de 12 bilhões de barris, nas bacias de Santos e Campos. O prazo até a produção começar é mais longo: de 5 a 7 anos.
Para comparação, o poço de Búzios, no Rio de Janeiro, levou cerca de 4 anos entre a descoberta e o início da exploração. Na Margem Equatorial, a estimativa é de 1 a 3 anos a mais.
A região abrange dois dos estados mais pobres do país. A licença de perfuração foi concedida pelo Ibama depois de pressão do presidente Lula e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
Por que o óleo pode ser de boa qualidade
A expectativa dos especialistas é de petróleo de boa qualidade. A bacia compartilha características geológicas com os campos produtivos vizinhos, na Guiana, hoje um dos polos de crescimento mais rápido da produção mundial de petróleo.
O risco que os especialistas apontam não é geológico
O analista Caio Junqueira chama a região de "uma das últimas grandes fronteiras de petróleo do mundo". O alerta dele é sobre o que vem depois de achar o óleo.
Segundo Junqueira, é preciso a "devida aplicação dos recursos" para não repetir erros do pré-sal clássico, quando a receita ficou concentrada em poucos órgãos e municípios.
O pré-sal de Santos e Campos já provou reserva maior que a estimada para a Margem Equatorial. O que ainda não tem precedente é o tamanho dos dois estados que vão receber a receita, caso ela chegue.
O ponto em aberto
Amapá e Maranhão têm hoje uma janela de 5 a 7 anos até a eventual primeira receita do petróleo.
É o mesmo tipo de prazo que outras regiões produtoras usaram no passado para montar fundos, leis de partilha e estrutura de fiscalização antes do dinheiro chegar. Resta saber se esse tempo será usado assim aqui também.


























