O sarampo voltou a avançar no Brasil em 2026. O estado de São Paulo confirmou 13 casos da doença ao longo do ano, segundo o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE-SP), com diagnósticos concentrados em dois grupos: bebês de até 1 ano de idade, que ainda não completaram o esquema vacinal, e adultos entre 20 e 50 anos.
O número cresceu rápido. Em março, o país confirmava o primeiro caso do ano — um paciente infectado após viagem à Bolívia em janeiro. No fim de junho, eram três casos confirmados em São Paulo e Guarulhos. Um mês depois, o total do estado já havia mais que quadruplicado.
O que é a dose zero e quem deve tomar
Diante do avanço, o Ministério da Saúde passou a recomendar, desde junho, a aplicação da chamada dose zero da vacina tríplice viral em bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias nos municípios com circulação do vírus, entre eles São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. É uma dose extra, antecipada, que não substitui o calendário normal.
Pelo calendário nacional do SUS, a primeira dose da tríplice viral continua sendo aplicada aos 12 meses e a segunda, na forma da tetraviral, aos 15 meses. Quem recebe a dose zero precisa tomar as duas doses seguintes normalmente. Adultos sem comprovação de vacinação também devem procurar uma unidade de saúde: a vacina é gratuita no SUS para crianças, adolescentes e adultos.
A cobertura vacinal é o gargalo
Especialistas apontam a queda da vacinação como a raiz do problema. Para bloquear a circulação do vírus, é preciso que 95% da população-alvo tenha as duas doses. São Paulo está longe disso: a cobertura estadual é de 85,32% na primeira dose e de apenas 72,06% na segunda.
O Brasil já eliminou o sarampo duas vezes — em 2016 e novamente em 2024, depois de perder a certificação em 2018 com a reintrodução do vírus. O histórico mostra que a proteção é reversível quando a vacinação afrouxa. Levantamento do Unicef estima em 13,5 milhões o número de crianças no mundo que não receberam nenhuma vacina no primeiro ano de vida.
Em Minas Gerais, o cenário é mais confortável, mas não seguro. O estado não registra caso autóctone — com transmissão em território nacional — desde 2020, quando foram identificados os últimos 22. Em 2024 houve apenas um caso importado, após viagem internacional. O problema mineiro é o mesmo do resto do país: a segunda dose fica para trás. Em Uberlândia, por exemplo, 89,41% das crianças tomaram a primeira dose da tríplice viral, mas só 82,26% completaram o esquema — abaixo da meta federal.
O sarampo é uma das doenças infecciosas mais contagiosas conhecidas e pode evoluir para pneumonia, encefalite e morte, sobretudo em bebês, gestantes e pessoas com imunidade baixa. A orientação das autoridades sanitárias é direta: conferir a caderneta de vacinação da família e atualizar o que estiver em atraso na unidade básica de saúde mais próxima.




