O presidente argentino Javier Milei compartilhou nesta semana uma publicação do deputado republicano dos EUA Carlos Gimenez que chama o presidente Lula de porco. O post, feito no sábado (8), trazia uma montagem com o rosto de Lula sobre uma foto de Nicolás Maduro no momento de sua prisão.

Na montagem, o rosto de Lula aparece com o mesmo moletom cinza usado por Maduro na foto divulgada por Donald Trump após a captura do ex-líder venezuelano, e uma garrafa de cachaça na mão.

Gimenez escreveu, em espanhol: "os brasileiros merecem muito mais do que esse porco".

Horas depois, o deputado voltou a criticar Lula. Ele associou o presidente brasileiro a lideranças que chamou de "castrocomunistas".

Gimenez é deputado pela Flórida, nasceu em Havana em 1954 e foi prefeito do condado de Miami-Dade. Ele é um aliado de Trump e critica com frequência governos de esquerda na América Latina.

Milei já vinha atacando Lula publicamente nas últimas semanas. Antes de compartilhar o post de Gimenez, ele já havia repostado mensagem chamando o presidente brasileiro de "corrupto e criminoso" e ligando-o a "ditaduras comunistas do hemisfério".

No Brasil, o post de Gimenez também foi replicado pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro e pelo jornalista Paulo Figueiredo.

Ofensa repetida depois de o Brasil já ter reagido

O episódio desta semana não é isolado. No início de agosto, Milei já havia chamado Lula de "ladrão" e "presidiário", além de chamar o ministro do STF Alexandre de Moraes de "lixo careca".

Em resposta a essa sequência de ofensas, o Itamaraty rebaixou a relação diplomática com a Argentina para o nível de encarregado de negócios.

O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retornou ao país vizinho. A medida foi comunicada ao embaixador argentino no Brasil, Guillermo Daniel Raimondi, por nota de protesto.

O novo compartilhamento de Milei mostra que o rebaixamento diplomático não conteve os ataques públicos do presidente argentino ao governo brasileiro.

Não há, até a apuração desta matéria, resposta oficial do Itamaraty ou do Palácio do Planalto a este episódio específico.

O que está em jogo na relação com a Argentina

Com a diplomacia já reduzida ao nível de encarregado de negócios, resta saber se o governo brasileiro vai adotar alguma medida adicional caso as ofensas públicas de Milei continuem, ou se vai manter a resposta institucional restrita à nota de protesto já enviada em agosto.