Cinco dos sete pré-candidatos ao governo do Maranhão participaram, na noite deste domingo (9), do primeiro debate eleitoral de 2026, promovido pela Band Maranhão e pela Rádio Mais FM na Universidade Dom Bosco, em São Luís. Eduardo Braide (PSD) e Reginaldo Lima (PCB) não compareceram ao encontro.

O debate aconteceu no Teatro Maria Izabel Rodrigues, no campus da UNDB, com mediação do jornalista Napoleão de Castro.

Participaram André Luís (Missão), Felipe Camarão (PT), Orleans Brandão (MDB), Saulo Arcângeli (PSTU) e Roberto Rocha (PRTB), em uma rodada de apresentações, três blocos de embates e um bloco de encerramento.

Braide disse estar em campanha pelo interior do estado e confirmou presença apenas no debate da TV Mirante, emissora concorrente da Band. Reginaldo Lima cumpria agenda em Imperatriz.

"Infelizmente, o candidato fujão não veio, mandou o auxiliar dele para estar batendo em todo mundo", disse Orleans Brandão, ex-secretário de Estado e um dos alvos preferidos da noite, sobre a ausência de Braide.

Os embates por tema

Na educação, Camarão criticou os indicadores do Ideb e obras escolares paralisadas na gestão atual.

Orleans rebateu defendendo o uso de tablets em sala de aula, reformas de prédios e a meta de levar 50% da rede estadual ao tempo integral, além de ampliar as escolas cívico-militares.

Cobrado sobre o Hospital da Criança, unidade de referência em São Luís, Orleans atribuiu o problema à gestão municipal. Roberto Rocha pediu que se investiguem as causas da crise no equipamento, não apenas os efeitos.

A segurança pública dividiu Saulo Arcângeli e André Luís. Arcângeli criticou o discurso de "prender e matar" de André, defendendo inteligência policial e políticas sociais como alternativa; André manteve a linha dura contra as facções criminosas que atuam no estado.

Nenhum dos dois cedeu.

No campo econômico, Camarão prometeu reduzir o ICMS. Roberto Rocha questionou a carga tributária "em um dos estados mais pobres do país".

André Luís criticou ONGs e órgãos ambientais e defendeu um porto em Tauá-Mirim, no litoral maranhense. Arcângeli contestou esse modelo, alegando que grandes empreendimentos não distribuem riqueza.

Na assistência social, Orleans citou o programa estadual Maranhão Livre da Fome e a rede de restaurantes populares como resultado da gestão atual. Arcângeli chamou o orçamento da área de insuficiente.

O momento mais direto da noite coube a Roberto Rocha. Questionado sobre sua identificação política, o ex-senador respondeu:

"Se for isso bolsonarismo, eu tenho muito orgulho de dizer que sou de direita e sou bolsonarista. Não tem nenhum demérito, porque milhões de brasileiros pensam também como eu."

Ele completou: "Essa é a razão de eu estar aqui. É porque tentaram calar esses maranhenses, tentaram amordaçar esses maranhenses, tentaram enterrar o palanque da direita." Rocha citou ainda a defesa da livre iniciativa, da segurança pública e das Forças Armadas como bandeiras da campanha.

É o primeiro teste público de uma disputa com sete pré-candidaturas já confirmadas — e o candidato ausente escolheu estrear em outra emissora.

O que o primeiro round mostra

Sete pré-candidaturas disputam o governo do Maranhão, mas o primeiro debate reuniu só cinco.

O primeiro turno é em 4 de outubro. Até lá, fica em aberto se as sete candidaturas confirmadas chegam juntas aos próximos confrontos ou se parte da disputa vai se decidir fora do palco, pelas ausências.