O Japão e a União Econômica Eurasiática (UEE) autorizaram nesta segunda-feira (10) a entrada de novos produtos do agro brasileiro. O Japão liberou a bexiga natatória de peixe, conhecida como grude, e a UEE, formada por Armênia, Belarus, Cazaquistão, Quirguistão e Rússia, abriu espaço para orquídeas e pescados brasileiros.

Segundo nota conjunta do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), produtores e estabelecimentos brasileiros precisam cumprir as exigências sanitárias de cada mercado para exportar.

A autorização da bexiga natatória é o 19º acordo comercial fechado com o Japão desde 2023.

Já a liberação de pescados, crustáceos e moluscos para os cinco países da UEE amplia um mercado que, segundo o Mapa, já soma 675 novas aberturas comerciais desde 2023, com projeção de chegar a 700 até o fim de 2026.

Por que o grude vale mais que o peixe inteiro

A bexiga natatória da pescada-amarela, chamada de grude no Brasil, é vista na China como um produto com propriedades medicinais associadas.

O preço reflete essa demanda. Enquanto a carne do peixe custa cerca de R$ 20 o quilo, o grude é negociado a até R$ 2.800 o quilo.

Entre 2015 e 2018, o Brasil foi o maior exportador de bexiga de peixe para Hong Kong, com 3.300 toneladas vendidas, avaliadas em HK$ 3 bilhões. Desse total, 95% saiu do Pará.

As exportações brasileiras de subprodutos de peixe cresceram 398% entre 2012 e 2020. Em 2021, 97% desse volume foi vendido à China.

O setor pesqueiro brasileiro como um todo exportou US$ 410 milhões e 64 mil toneladas no ano passado. Desde 2023, o governo já abriu 18 novos mercados só para esse setor.

O comércio agrícola com a UEE também tem peso. Em 2025, as exportações do agro brasileiro para o bloco somaram US$ 1,47 bilhão, com destaque para café (US$ 537 milhões) e carne (US$ 594 milhões) vendidos à Rússia.

Com o Japão, o fluxo é ainda maior. As exportações do agro brasileiro para o país somaram US$ 3,25 bilhões no ano passado, puxadas por café (US$ 1,08 bilhão) e carnes não bovinas (US$ 1,25 bilhão).

Por que o Brasil exporta tão pouco em orquídeas

O mercado mundial de orquídeas movimenta US$ 20 bilhões por ano. O Brasil, porém, exporta apenas US$ 13 milhões nessa categoria.

A Colômbia, com condições de produção parecidas às brasileiras, vende US$ 560 milhões em orquídeas ao exterior.

A nova autorização da UEE abre uma porta a mais para o produtor brasileiro.

Se o setor vai usar a nova autorização para reduzir essa distância é uma pergunta que só as próximas safras respondem.