O governo do presidente Lula decidiu manter a análise da autorização diplomática (agrément) para Daniel Perez, indicado por Donald Trump ao posto de embaixador dos EUA no Brasil, apenas para depois das eleições presidenciais de outubro. A confirmação de Perez pelo Senado americano nesta semana não muda essa posição, segundo avaliação de assessores do Palácio do Planalto.
Como a crise diplomática começou
Trump indicou Perez em junho, sem consulta formal prévia ao Itamaraty, o que gerou desconforto na diplomacia brasileira. A indicação veio depois da segunda rodada de tarifas dos EUA a produtos brasileiros. A Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas não fixa prazo para a concessão do agrément, e a avaliação no Planalto é que ceder à pressão agora enfraqueceria a posição do Brasil na disputa.
A crise se agravou na terça-feira (4), quando o governo Trump revogou o visto diplomático da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti, alegando a demora do Brasil em aprovar Perez. Diplomatas brasileiros classificaram a medida como chantagem. Viotti não foi expulsa e pode permanecer no país sem visto válido — que só será restituído se o Brasil conceder o agrément. Ela é diplomata desde 1976, foi embaixadora do Brasil junto à ONU entre 2007 e 2013 e já representou o país na Alemanha.
Lula chamou a revogação de "atitude irresponsável e impensada" em entrevista ao Meteoro Brasil e ao podcast Os Três Elementos na quarta-feira (5). "Ele [Trump] então tomou a atitude de caçar o visto da nossa embaixadora. Se ela sair e vier pra cá, vai ter que tirar o visto outra vez. Uma atitude irresponsável, impensada, para um país que tem 203 anos de diplomacia, de relação diplomática. Desnecessário", disse o presidente.
Lula também repetiu que não vai aceitar interferência estrangeira nas eleições de outubro: "O Brasil não só está preparado como vai enfrentar qualquer pessoa de fora que queira interferir no nosso processo eleitoral", afirmou. A fala ocorre depois de uma reportagem do Washington Post citar Perez e a encarregada de negócios dos EUA no Brasil, Natasha Franceschi, questionando o sistema eleitoral brasileiro — os EUA negaram interferência eleitoral.














