O embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, deixa o Brasil neste domingo (9), no ápice da crise diplomática entre os dois países. A representação passa à ministra María Emilia Cortés, chefe de chancelaria, em nível de encarregada de negócios, depois de o presidente Javier Milei repetir insultos contra Lula em entrevista à imprensa argentina.

"Ele é um ladrão, um corrupto. Não é inocente. Foi liberado por uma falha no processo jurídico", disse Milei sobre Lula, ao grupo argentino La Nación.

A crise começou em 25 de julho, quando Milei discursou na convenção do Partido Liberal em São Paulo, que lançou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Na ocasião, chamou Lula de "presidiário" e o ministro do STF Alexandre de Moraes de "lixo careca".

No dia seguinte, o Itamaraty convocou o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, para consultas, e cobrou explicações do embaixador argentino.

Milei manteve os ataques nos dias seguintes, repetindo termos como "ladrão" e "corrupto" em entrevistas a veículos argentinos. Em 4 de agosto, o Itamaraty entregou a Raimondi uma nota de protesto e comunicou o rebaixamento da relação diplomática para o nível de encarregados de negócios.

Uma crise que nasceu num palco de campanha

O estopim da crise não foi um desentendimento de governo para governo. Foi um discurso feito num evento de campanha no Brasil, a convenção que lançou a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

Isso deixou a briga diplomática amarrada à disputa eleitoral brasileira de 2026 desde o primeiro dia.

Quanto tempo dura a representação rebaixada

Com Raimondi de saída, a Argentina passa a ter no Brasil apenas uma encarregada de negócios, nível abaixo de embaixador.

A pergunta que fica é até quando essa configuração dura, e se a crise se resolve antes ou depois das eleições brasileiras de outubro.