O chanceler Mauro Vieira afirmou neste domingo (9) que as agressões do presidente argentino Javier Milei contra o Brasil devem parar imediatamente, condição para normalizar as relações diplomáticas com a Argentina. Em entrevista ao jornal argentino Clarín, o ministro disse que o Brasil rebaixou a relação após quatro declarações agressivas de Milei numa semana.

As declarações de Milei ocorreram durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. Segundo o ministro, foram quatro falas agressivas em uma semana.

O Itamaraty já havia rebaixado a representação diplomática ao nível de encarregado de negócios no início de agosto.

"Essas ofensas foram muito graves. Portanto, deve-se preservar essa relação", disse Vieira.

Milei rejeitou a acusação de ter sido agressivo e classificou as falas como "espontâneas". "Agressivo é que alguém roube. É muito mais leve chamar um ladrão de ladrão do que o próprio ato de roubar", rebateu o presidente argentino.

É a primeira vez desde a redemocratização que o Brasil reduz formalmente o nível da representação diplomática com a Argentina.

De acordo com o chanceler argentino Pablo Quirno, o governo de Milei considera a decisão brasileira "lamentável" e "unilateral". Quirno afirmou que a Argentina não pretende responder diplomaticamente nem pedir desculpas.

O gesto que falta

Vieira colocou a interrupção das agressões como condição para normalizar as relações. Quirno já disse que a Argentina não pretende pedir desculpas nem responder diplomaticamente. Entre a exigência brasileira e a recusa argentina, o impasse segue sem sinal de quem cede primeiro.