O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, de "latino-americano frustrado" nesta sexta-feira (7), durante visita ao Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). A fala respondeu a um novo aumento de tarifa americana sobre produtos brasileiros, anunciado sem contato prévio do governo dos EUA.
"Então eu esperei, não teve telefonema, mas veio pela imprensa um aumento de tarifa, aumentou mais 2,5% de tarifa contra nós", disse Lula, em trecho do discurso registrado por veículos que cobriram o evento em São José dos Campos (SP).
Na mesma fala, o presidente chamou Rubio de "bolsonarista" e afirmou que o americano "odeia Cuba, odeia a Colômbia, odeia o Brasil".
Rubio nasceu em Miami, na Flórida, filho de imigrantes cubanos.
O secretário nunca morou em Cuba. Foi eleito senador pela Flórida em 2010 e assumiu o comando da diplomacia americana em 21 de janeiro de 2025, após confirmação unânime no Senado, por 99 votos a 0.
Em publicação nas redes sociais, Rubio atribuiu a Lula a responsabilidade pelas tarifas.
"Lula colocou seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso", escreveu o secretário.
Rubio classificou as políticas do presidente brasileiro como "ruins para os americanos e para os brasileiros" e disse que o governo não negociou "de boa-fé".
A tarifa de 50% sobre a maior parte dos produtos brasileiros está em vigor desde 6 de agosto. Ficaram de fora aeronaves civis, energia, suco de laranja, ferro-gusa, metais preciosos, celulose e fertilizantes.
No Itamaraty, as justificativas usadas pelo chefe do escritório de comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, para um novo tarifaço foram rebatidas pelo ministro Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e pelos embaixadores Mauricio Lyrio e Audo Faleiro.
O diálogo que ainda não aconteceu
Lula disse esperar um telefonema antes do novo aumento de tarifa, e ele não veio.
Com os 50% já em vigor desde 6 de agosto e a troca de acusações subindo de tom, o próximo capítulo depende de um contato direto entre os dois governos, que até aqui não ocorreu nem por telefone nem por outro canal formal.














