O PT vai destinar R$ 62 milhões às candidaturas ao Senado nas eleições de 2026, 10,08% do total que o partido recebe do Fundo Eleitoral, quase cinco vezes a fatia de 2,48% reservada em 2022. O PL, maior beneficiário do fundo este ano, reserva até R$ 92,6 milhões para sua bancada no Senado.
O PL recebe R$ 881,7 milhões do Fundo Eleitoral em 2026, o maior valor entre os 30 partidos habilitados pelo TSE. A legenda separou faixa própria de até 15% do fundo para o Senado, calculada pelo número de senadores que já tem.
São até R$ 92,6 milhões, 10,5% de tudo que o partido recebe.
O PT recebe R$ 615 milhões neste ano, a segunda maior fatia do fundo. Segundo a Agência Senado, PL, PT e União Brasil somados concentram quase 40% dos R$ 4,9 bilhões distribuídos aos 30 partidos em 2026.
Por que o Senado pesa tanto neste ano
A Casa renova 54 das 81 cadeiras em 2026, dois terços do total: cada estado e o Distrito Federal elegem dois senadores. O Senado também julga processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), com quórum de 54 votos para condenar um deles.
Em julho, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias ao STF, a primeira rejeição de um indicado em 132 anos.
A Casa também trava a votação da PEC que acaba com a escala de trabalho 6x1 e da PEC da Segurança Pública, prioridade do governo Lula, além de sabatinar indicações para a Procuradoria-Geral da República, o Banco Central e agências reguladoras.
Do lado do PL, a aposta é declarada.
"Do jeito que estão as avaliações, nós devemos fazer mais 20 senadores", disse o presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto.
O PL tem hoje 16 senadores, 11 deles com mandato até 2026, e planeja lançar candidaturas em 24 unidades da Federação. Entre as bandeiras da legenda está a anistia "geral e irrestrita" aos condenados dos atos de 8 de janeiro.
O PT também amplia a estratégia.
"Será fundamental para o PT para o próximo ciclo formar uma boa quantidade de senadores", afirmou o deputado federal Jilmar Tatto (PT-SP). Em 2022, o partido havia reservado só R$ 12,5 milhões à disputa pelo Senado.
O salto que passou batido nos debates estaduais
O avanço de 2,48% para 10,08% é um dos poucos indicadores públicos de como os partidos calculam a disputa pelo Senado. É um tabuleiro que corre em paralelo aos debates estaduais ao governo e decide 54 dos 81 assentos da Casa.
O cientista político Leandro Consentino, do Insper, avalia que a mudança reflete um recálculo estratégico dos partidos. Segundo ele, o Senado sempre teve papel central no arranjo institucional, mas só agora as legendas passaram a tratá-lo como prioridade de campanha.
O que muda para o eleitor
Mais dinheiro nas contas dos partidos não garante voto, mas define quantos nomes cada legenda sustenta em rádio, TV e redes até outubro.
Com PT e PL reforçando a cota do Senado ao mesmo tempo, os 54 assentos renovados em 2026 concentram uma fatia do fundo maior do que pesou em 2022, quando a Casa dividia menos espaço no orçamento de campanha dos dois partidos.














