O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou uma nova investigação da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente Lula, por suposto tráfico de influência. É o segundo inquérito liberado pelo ministro em menos de uma semana para apurar suspeitas contra ele.
A PF quer saber se Lulinha atuou para favorecer empresários junto à Dataprev, a empresa pública responsável pelas bases de dados da Previdência Social e de outros programas sociais. Na apuração, a polícia investiga os crimes de tráfico de influência, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Nenhuma acusação formal foi apresentada até agora, e o inquérito é a etapa em que a polícia reúne elementos para confirmar ou afastar as suspeitas.
O caminho que levou à Dataprev
O fio da apuração passa pela Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de desvios no INSS supostamente comandado por Antônio Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Em documentos dessa operação, a Polícia Federal cita o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio de uma empresa chamada 3Structure It, e afirma que a ligação dele com o grupo ainda precisa ser esclarecida.
Em uma fase anterior dessa operação, a PF registrou que "os vínculos existentes entre Cleber Ribas, Erik Marinho e Antônio Camilo necessitam ser mais profundamente esclarecidos, a fim de confirmar ou afastar a eventual participação de Cleber nos atos de lavagem de capitais" atribuídos aos dois últimos. Em diálogos interceptados entre Antônio Camilo e a empresária Roberta Luchsinger, segundo a polícia, aparecem referências a um indivíduo identificado como "Cleber na DATA", apresentado como alguém que assumiria projetos conduzidos por Antônio.
A PF também menciona "registros de transferência de valores entre empresas de Cleber e Roberta" e conclui, no mesmo documento, que "a real participação de Cleber permanece como importante lacuna investigativa" — ou seja, a própria polícia diz que ainda não tem resposta. Erik Marinho é segundo suplente de senador; Roberta Luchsinger é empresária e amiga pessoal de Lulinha.
O primeiro inquérito foi autorizado por Mendonça na quinta-feira (30). Nele, a PF investiga se Lulinha atuou para tentar abrir portas do Ministério da Saúde ou do Gabinete da Presidência em favor do "Careca do INSS", com apuração de possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência. Segundo a polícia, essas suspeitas não têm relação com as fraudes do INSS.
Defesa nega e fala em vazamento
A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou que ele e Cleber Ribas são amigos, que está à disposição das autoridades e que o filho do presidente não cometeu qualquer tipo de irregularidade. Os advogados dizem ainda que vão pedir rigorosa apuração sobre o que chamaram de "vazamentos seletivos e criminosos". Em manifestação anterior, a defesa classificou a atuação da PF como "pescaria probatória" — procura indiscriminada por provas para incriminar o investigado —, sustentou que nenhum indício de irregularidade foi encontrado, apontou uma possível tentativa de influenciar as eleições deste ano e elogiou a condução do caso por Mendonça. Fábio Luís é representado pelo advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas.
A questão dos vazamentos virou um caso à parte. A defesa de Roberta Luchsinger pediu à Procuradoria-Geral da República e à própria PF a abertura de inquérito para investigar o vazamento de conversas entre ela e Lulinha, protegidas por sigilo judicial dentro da Operação Sem Desconto. O pedido, assinado pelos advogados Bruno Salles e Marco Antonio Chies Martins, alcança todos os agentes com acesso à investigação — inclusive delegados cedidos ao gabinete de Mendonça — e requer a apreensão de computadores, celulares e demais equipamentos desses servidores, tanto na PF quanto no STF.
Os supostos vazamentos estão na origem de uma crise entre o gabinete de Mendonça e o diretor da PF, Andrei Passos Rodrigues. Assessores do ministro suspeitam que o diretor abasteça o Palácio do Planalto com informações privilegiadas, e uma das medidas adotadas por Mendonça ao assumir a relatoria dessas investigações foi proibir que a equipe de policiais se reportasse a ele. Já policiais federais próximos a Andrei afirmam que os vazamentos ocorrem quando as informações são encaminhadas ao gabinete do relator. Tanto a Polícia Federal quanto o gabinete de André Mendonça negam os vazamentos.














