O Partido Missão realizou neste sábado (1º), no Komplexo Tempo, na zona leste de São Paulo, o ato público de lançamento da candidatura de Renan Santos à Presidência da República. Foi a primeira convenção partidária da legenda, cuja criação foi aprovada pelo Tribunal Superior Eleitoral em novembro de 2025.

Na mesma ocasião, o partido formalizou a escolha de Aroldo Medina, militar da reserva, como candidato a vice-presidente. Renan Santos tem 42 anos, é empresário paulistano e cofundador do Movimento Brasil Livre (MBL); fundou o Missão em 2024.

Ataque a Moro e vaias na plateia

Do palco, o candidato atacou o senador Sérgio Moro, a quem chamou de "um vassalo, um homem que não teve a estatura de defender o próprio legado e se submeteu a ser escravo daqueles que destruíram a sua grande obra, que era a Lava Jato". Renan Santos criticou a atuação de Moro como ministro da Justiça, entre 2019 e 2020, no governo Bolsonaro, e o acusou de abandonar princípios em troca de cargos. O público presente vaiou e xingou o senador durante as críticas.

Ajuste de R$ 1,1 trilhão e nove candidaturas estaduais

O evento apresentou a versão atualizada do Livro Amarelo, documento com as propostas da candidatura, e anunciou a criação do Instituto Livro Amarelo, voltado à pesquisa. Entre as medidas está a chamada PEC da Transição, com ajuste fiscal de R$ 1,1 trilhão até 2031, além de corte de gastos por meio da desindexação de benefícios e da desvinculação de pisos.

O plano de governo divulgado em 21 de julho por videoconferência prevê ainda a eliminação de favelas em dez anos — por regularização, financiamento imobiliário com juros subsidiados e prazo de até 50 anos e monitoramento por satélite —, a construção de presídios de segurança máxima inspirados no CECOT, de El Salvador, e a substituição do Bolsa Família por uma política de inserção produtiva, com beneficiários em frentes de trabalho remuneradas. O documento também trata de fusão de municípios, Lei Antifacção e troca de cotas por bolsas de desempenho.

A candidatura já havia sido formalizada em convenção on-line no dia 20 de julho, antecipada por razões de segurança depois que Renan Santos relatou ameaças de facções criminosas. À época, ele afirmou que estar com a Polícia Federal "não é mais uma questão de conveniência ou até de redução de gastos", mas uma "questão de sobrevivência". Com isso, o Missão foi a primeira legenda do país a oficializar um candidato à Presidência em 2026.

Para a disputa, o partido conta com R$ 3,3 milhões do fundo eleitoral, o equivalente a 0,07% do total distribuído. Além da chapa presidencial, o Missão lançou candidaturas a governo estadual em nove estados: Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Ceará, Pernambuco e Maranhão.