O estado de São Paulo começa na segunda-feira (3) a campanha de multivacinação que vai até 1º de setembro e alcança os 645 municípios paulistas. Em três cidades da região metropolitana, a ação ganha um reforço específico: a vacina tríplice viral será oferecida a todas as pessoas de 6 meses a 59 anos, por causa de um surto de sarampo.
As cidades com a regra ampliada são São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A extensão da faixa etária foi recomendada pelo Ministério da Saúde em 28 de julho, dentro da própria campanha de multivacinação.
Na quinta-feira (30), o Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE) confirmou o 15º caso de sarampo no estado em 2026. O registro é de uma criança de Guarulhos sem histórico de vacinação contra a doença.
O que dizem os números de cada órgão
As contagens variam conforme o recorte e a data. Na posição divulgada em 28 de julho, o Ministério da Saúde contabilizava 14 casos confirmados no país em 2026, três deles já encerrados e sem risco de transmissão. Restava, segundo a pasta, um surto ativo com 11 casos — dois em São Bernardo do Campo e nove no município de São Paulo.
Na mesma data, a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo registrava 13 casos no estado em 2026, em bebês de até 1 ano e em adultos entre 20 e 50 anos. O número mais recente é o do CVE, de 30 de julho: 15 casos no estado no ano.
O Ministério da Saúde afirmou que fez a recomendação porque identificou um volume de casos que indica uma cadeia de transmissão ligada à importação do vírus, e que está reforçando o abastecimento de vacinas. "As investigações epidemiológicas seguem em andamento e, até o momento, os casos permanecem classificados como de fonte de infecção desconhecida", informou a pasta. "O surto foi identificado em uma região de intensa mobilidade populacional, com elevado fluxo internacional de viajantes e circulação frequente de pessoas provenientes de outros países, cenário que favorece a introdução esporádica do vírus."
Cobertura vacinal está longe da meta
Dados preliminares de 2026 da secretaria estadual indicam cobertura de 77,5% para a primeira dose e de 65,5% para a segunda dose da tríplice viral em São Paulo. A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde e pela Organização Mundial da Saúde é de 95% para cada uma delas.
Em 2025, a cobertura nacional havia chegado a 92,9% na primeira dose e a 78,3% na segunda. Nas três cidades sob recomendação especial, os índices daquele ano foram de 91,59% e 83,90% em Guarulhos; 90,84% e 83,62% em São Bernardo do Campo; e 90,79% e 83,63% na capital.
"A atualização da caderneta é fundamental para proteger crianças e adolescentes contra doenças imunopreveníveis. Diante do cenário do sarampo, a estratégia ampliada nos três municípios busca aumentar rapidamente a proteção da população e reduzir o risco de transmissão", afirmou Tatiana Lang, diretora do CVE.
Quem deve procurar o posto
Pelo Calendário Nacional de Vacinação, a primeira dose da tríplice viral é aplicada aos 12 meses e a segunda, preferencialmente da tetraviral, aos 15 meses. Quem tem até 59 anos e não recebeu a vacina na faixa etária prevista deve procurar um posto de saúde, segundo o Ministério da Saúde.
Nas três cidades do surto, crianças de 6 a 11 meses e 29 dias recebem a chamada dose zero, que não substitui as doses previstas aos 12 e aos 15 meses. Em 2026 foram distribuídas mais de 7,2 milhões de doses da tríplice viral a estados e municípios, das quais cerca de 2,9 milhões já haviam sido aplicadas no país.
A campanha não se limita ao sarampo. Também estão disponíveis a BCG e os imunizantes contra hepatite B, hepatite A, poliomielite inativada, rotavírus, influenza, Covid-19, febre amarela, varicela e HPV, além das vacinas pentavalente, pneumocócica 10-valente, meningocócica C, meningocócica ACWY e DTP. A secretaria pede que pais e responsáveis levem a caderneta aos postos para que as equipes confiram as doses indicadas para cada idade.














