O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a Polícia Federal a abrir inquérito para apurar suspeitas de corrupção e tráfico de influência atribuídas ao empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A decisão foi tomada na quarta-feira (29) e veio a público nesta quinta-feira (30). A apuração tramita em sigilo, e Mendonça é o relator do caso — o pedido foi distribuído ao gabinete dele por prevenção.
Segundo a Polícia Federal, a investigação trata de supostos crimes ligados a autorizações para a comercialização de cannabis medicinal em programas do Ministério da Saúde. A corporação suspeita que o empresário vendesse acesso ao governo federal em troca de pagamentos, com atividades sob suspeita tanto no Ministério da Saúde quanto no Palácio do Planalto. O documento da investigação menciona contatos entre os investigados e servidores do governo, incluindo funcionários do gabinete do presidente.
O caso está na fase de inquérito, aberto justamente para apurar as suspeitas levantadas pela Polícia Federal.
Quem aparece na apuração
Além de Lulinha, o caso cita o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", preso desde setembro de 2025, e a empresária Roberta Luchsinger, amiga do filho do presidente. Também é mencionada a empresa World Cannabis, do ramo de fitoterapia, apontada como ligada a Antunes.
De acordo com a apuração, Roberta Luchsinger recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes por serviços de consultoria voltados à regulação do mercado de cannabis medicinal. Lulinha viajou a Portugal com despesas pagas pelo lobista para prospectar um negócio no setor, intermediado pela empresária — participação que o próprio empresário admitiu em documento protocolado no STF. Em manifestação anterior, seus advogados registraram que a viagem ocorreu em 2024.
O que diz a defesa
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, afirmou ter recebido a notícia "com perplexidade" e disse ser "estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito", criticando o que classificou como "pesca probatória" e "tentativa de melhor de três", com alegada falta de fundamentação e fins políticos. "Não acharam nada do Fábio no bojo das investigações do INSS, como não vão achar em relação a esses fatos", declarou.
Em manifestação anterior, a defesa sustentou que o empresário "não participou de negociações, não investiu trabalho nem recursos" e que ele não recebeu convite para integrar a World Cannabis nem para comprar ações da empresa.














