O Brasil fechou 2025 com 1.538 estabelecimentos elaboradores de cachaça registrados no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), distribuídos por 844 municípios. Os números estão no Anuário da Cachaça 2026, publicado pela pasta na sexta-feira (31) e elaborado pela Secretaria de Defesa Agropecuária.

Minas Gerais é o centro da atividade: o estado concentra 564 estabelecimentos, mais que o dobro do segundo colocado, São Paulo, com 230. O Rio Grande do Sul aparece em terceiro, com 106. A liderança mineira se repete no registro de produtos: das 8.379 cachaças cadastradas no Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários (Sipeagro) em 2025, 2.922 são de Minas, contra 1.185 de São Paulo e 635 do Rio de Janeiro.

Entre as cidades, o topo da lista também é mineiro. Salinas, no norte de Minas, tem 27 estabelecimentos da cadeia produtiva, seguida de perto por Alto Rio Doce, na Zona da Mata mineira, com 25, e por Viçosa do Ceará, no noroeste cearense, com 24.

Crescimento de 21% em um ano

O setor vem se expandindo em número de empresas. Segundo o anuário, foram 272 estabelecimentos a mais na comparação com 2024, um crescimento de 21% — o maior desde 2018. No acumulado desde aquele ano, a alta chega a 61%. A contagem reúne quem produz a bebida, quem padroniza cor, aroma e paladar, quem envasa as garrafas e quem vende no atacado.

A cadeia manteve, em média, 6.232 postos de trabalho em 2025, o equivalente a 4,4% de todos os empregos da indústria de fabricação de bebidas do país.

O avanço no número de empresas, porém, não veio acompanhado de mais bebida produzida. O volume declarado em 2025 foi de 234,4 milhões de litros. Em nota à imprensa, o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) destacou que esse volume representa uma redução de 15,77% em relação ao ano anterior, apesar do crescimento no número de estabelecimentos, produtos, marcas e exportações.

Exportação cresce, mas segue pequena

As vendas ao exterior somaram 7,95 milhões de litros em 2025, um crescimento de 19,4% sobre o volume do ano anterior, com destino a 76 países. Em valor, as exportações totalizaram US$ 17,07 milhões. Os Estados Unidos foram o maior comprador em dinheiro, enquanto o Paraguai foi o país que consumiu o maior volume, com 1,34 milhão de litros.

Para o presidente do Ibrac, Vicente Bastos, o desempenho externo ainda é modesto. A exportação da bebida “continua em um patamar pouco expressivo, especialmente quando consideramos o tamanho do setor e o mercado internacional de destilados”, afirmou em nota.

O Mapa reforça que é ilegal produzir e comercializar aguardente sem autorização do ministério e orienta o consumidor a comprar apenas cachaças que tragam no rótulo o número de registro da pasta. Produtos fora do cadastro podem ter origem em fabricação clandestina e ser falsificados — foi o que ocorreu entre setembro e dezembro de 2025, nas dezenas de casos de mistura e adulteração de bebidas destiladas com metanol.

Os dados chegam a poucos dias da 35ª Expocachaça, marcada para 6 a 8 de agosto no Center Minas-Expo, em Belo Horizonte. A organização do evento estima movimentação de cerca de R$ 30 milhões, com 250 expositores de 18 estados, cerca de 2 mil marcas e público previsto de 25 mil pessoas em três dias.