O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, recebeu na tarde de segunda-feira (27), das 15h30 às 16h30, o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza, segundo a agenda oficial do BC. O encontro, classificado como tratando de "assuntos institucionais", ocorreu em meio à demora na liberação do pacote de socorro de R$ 6,6 bilhões ao banco público do Distrito Federal. Participaram também Ailton de Aquino Santos, diretor de Fiscalização do BC, e Ana Paula Teixeira de Sousa, diretora de Controle e Riscos do BRB.
O socorro foi aprovado pelo Supremo Tribunal Federal após acordo assinado pelo Governo do Distrito Federal (GDF), controlador do BRB, que deve aportar R$ 2,2 bilhões de recursos próprios ao pacote, via ajuste de contas públicas e redução de investimentos. A liberação, porém, ainda depende da assinatura de contratos com o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), da formalização de contragarantias à União e da conclusão de auditorias independentes do BRB. Bancos privados envolvidos na operação também pedem garantias adicionais da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil. Enquanto o balanço financeiro de 2025 do BRB não é divulgado — uma das exigências para destravar o pacote —, a instituição segue sujeita a sanções do Banco Central, como multas.
Origem do rombo
A crise do BRB tem origem na compra de ativos do Banco Master, instituição liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central em novembro de 2025. Entre junho e agosto daquele ano, o Master repassou cerca de R$ 5,7 bilhões em créditos já classificados como atípicos pelo BC para fundos de investimento e para o próprio BRB, antes do início do "termo legal" da liquidação, em 19 de setembro. Do total, cerca de R$ 1 bilhão em créditos foi vendido ao banco brasiliense, e o rombo total estimado da operação para o BRB chega a R$ 8,8 bilhões.
Uma negociação para vender R$ 15 bilhões em ativos do Master à gestora Quadra Capital — que previa R$ 4 bilhões à vista e R$ 11 bilhões via fundo — foi cancelada pelo BRB. Segundo apurado, o Banco Central cobra diariamente do BRB informações sobre o caixa disponível da instituição, eventual mistura de recursos públicos do GDF em suas contas e o andamento da busca por um empréstimo.
















