O ex-maratonista olímpico Daniel Ferreira do Nascimento, de 28 anos, foi encontrado com vida neste sábado (1º) na Zona Leste de São Paulo. Ele estava desaparecido desde 19 de junho, quando deixou a casa da família em Paraguaçu Paulista, no interior paulista, levando apenas uma mochila preta.
Daniel foi reconhecido por um pedestre na Rua Doutor Ubaldino do Amaral, no bairro Belenzinho. O homem acionou a Guarda Civil Metropolitana, cujos agentes confirmaram a identidade do atleta. Ele foi encaminhado ao 30º Distrito Policial, no Tatuapé, onde a família foi ao seu encontro poucas horas depois. O ex-maratonista aparentava estar bem fisicamente.
O tempo de desaparecimento varia entre os veículos que noticiaram o caso — há registros de 43 e de 44 dias de buscas. O que as fontes convergem é a data em que ele foi visto pela última vez: 19 de junho.
Família mobilizou as redes por mais de um mês
Sem notícias do paradeiro do corredor, a família recorreu às redes sociais cerca de um mês depois do sumiço para pedir ajuda nas buscas. O apelo ganhou repercussão e gerou uma corrente de compartilhamentos. Um dia após esse pedido público, em 29 de julho, Daniel completou 28 anos longe dos familiares e sem qualquer contato.
A mãe do atleta, Valdirene de Paula Ferreira, havia relatado à imprensa que o filho enfrentava problemas de saúde mental depois do afastamento do esporte. Segundo ela, Daniel permanecia sob seus cuidados e a acompanhava diariamente ao trabalho em uma empresa de beneficiamento de mandioca. "Ele estava comigo, sob os meus cuidados. Eu ia trabalhar e ele ia comigo. Sempre foi um menino bom", disse.
Valdirene também descreveu a falta que a rotina de atleta fazia ao filho. "Às vezes eu levava ele para correr. Ele fazia uns treinos escondido no meio do canavial. Acho que sentia muita falta da rotina de atleta", contou. De acordo com os familiares, ele convivia com um quadro de depressão desde que a carreira foi interrompida.
De Tóquio ao recorde sul-americano e à suspensão
Daniel representou o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, disputados em 2021, e chegou a figurar entre os principais nomes da maratona nacional. Ele também detém o recorde sul-americano da prova.
A trajetória foi interrompida por um caso de doping envolvendo três substâncias proibidas: drostanolona, metenolona e nandrolona. Em 2025, o atleta foi suspenso por cinco anos, com punição retroativa a 15 de julho de 2024 — só poderá voltar a competir em 2029. Depois do afastamento, ele retornou a Paraguaçu Paulista para viver com a família.














