Um soldado de 44 anos da Brigada Militar foi preso em flagrante neste sábado (1º) depois de disparar quatro vezes contra o dono de uma oficina mecânica em Sobradinho, no interior do Rio Grande do Sul, a cerca de 180 quilômetros de Porto Alegre. Três tiros atingiram a vítima, que está internada em estado grave.

Segundo a Brigada Militar, o baleado é Wilian Wink, de 32 anos, proprietário do estabelecimento. Ele foi socorrido e levado a um hospital de Cachoeira do Sul, onde permanece na UTI. Dois dos disparos atingiram a região do abdômen e um, a perna.

O que diz a corporação

De acordo com a corporação, o soldado Djavan Roger Fritsch recebeu uma ligação da companheira relatando uma situação de perturbação do sossego em uma mecânica próxima à residência do casal. O policial teria ido até o local, onde acabou se desentendendo com o proprietário.

Em nota oficial, a Brigada Militar afirmou que há imagens de câmeras de segurança de um estabelecimento comercial em Sobradinho "que mostram um Militar Estadual efetuando disparos de arma de fogo contra um indivíduo". Segundo a corporação, o policial estava "durante o serviço" e agiu "após discussão em razão de desavenças pessoais com o indivíduo".

O policial se apresentou no quartel e entregou a arma funcional, informou o tenente-coronel Cristiano Marconatto, comandante do 23º Batalhão de Polícia Militar. Segundo ele, o crime investigado é, inicialmente, lesão corporal.

Preso à disposição da Justiça Militar

A Brigada Militar informou que o soldado "foi autuado em flagrante delito, em razão dos crimes militares em tese praticados" e encaminhado ao Presídio Policial Militar, em Porto Alegre, onde ficará à disposição da Justiça Militar do Estado. A corporação acrescentou que "as investigações prosseguem para o completo esclarecimento de todas as circunstâncias do fato".

Na mesma nota, a instituição afirmou que "não compactua com qualquer conduta que se revele incompatível com os princípios basilares" da corporação e disse que conduz a apuração "com devido rigor e ética", assegurando ao investigado "o devido processo legal e o direito à ampla defesa".

Nenhuma acusação formal foi apresentada até agora: a prisão em flagrante e o inquérito são etapas anteriores a qualquer denúncia, e o soldado é investigado, não condenado. Até a publicação desta reportagem, não havia manifestação pública da defesa do policial.