A Polícia Federal afirmou em relatório enviado ao Supremo Tribunal Federal que há indícios de que o senador Jaques Wagner (PT-BA) tinha dinheiro aplicado no Banco Master. Segundo a corporação, o nome do parlamentar consta em uma lista de clientes da instituição financeira.

De acordo com a apuração da PF, o investimento inicial foi de R$ 167.298,00 em um CDB (Certificado de Depósito Bancário), com valor atualizado de R$ 194.897,19 e código de produto CDBC23BGFBN. O documento com esses dados teria sido enviado a Alberto Felix, então superintendente-executivo de tesouraria do banco, em agosto de 2025.

O que a PF diz ter reunido

A Polícia Federal encaminhou ao STF uma representação de 98 páginas sobre as relações entre o senador e gestores do Banco Master. O documento descreve, nas palavras da própria corporação, "diálogos extraídos de celulares apreendidos, registros de voos, fotografias, documentos e contratos" que, na avaliação dos investigadores, apontariam indícios de corrupção e lavagem de dinheiro. A investigação também menciona a compra de ingressos para camarote em favor de familiares do parlamentar.

Ainda segundo a PF, Wagner manteria relação com os executivos Augusto Ferreira Lima e Daniel Vorcaro, o que teria criado, na versão dos investigadores, "canais para tratar de pautas legislativas e operações de interesse do Master". A corporação fala em "supostas vantagens econômicas recebidas pelo senador". As informações constam de uma investigação em curso, e o parlamentar nega as suspeitas.

O ministro André Mendonça, do STF, autorizou medidas cautelares no inquérito: interceptação telefônica, monitoramento de estações rádio-base e acesso a registros de chamadas. Foram dez dias de monitoramento dos celulares de Wagner e de outros investigados, com acesso a registros de conversas e a metadados de localização obtidos por antenas de telefonia.

Mendonça tornou públicas as peças do caso na quinta-feira (30), sob o argumento de que a petição da PF já havia se exaurido, o que permitiria o arquivamento e a divulgação dos documentos (PET 16.210). Na decisão, o ministro registrou ter recebido "solicitação de audiência, por parte de um dos investigados" em seu gabinete "no mesmo dia em que aportaram as representações da Polícia Federal", episódio que ele considerou indicativo de risco de vazamento de informações sigilosas.

O que diz o senador

Wagner reafirmou sua inocência nesta sexta-feira (31), em entrevista à Rádio Baiana FM. Ele disse que evita comentar o caso a pedido dos advogados: "O [meu] advogado e o pessoal de imprensa pedem para nem falar sobre isso". Em seguida, citou uma frase do próprio Mendonça — "o inquérito, a investigação, serve até para afastar a culpa" — e completou: "Então, eu tenho certeza de que vou provar minha inocência".

Na mesma entrevista, o senador afirmou que mantém o apoio do presidente Lula. "Estive com ele [Lula] quatro, cinco dias depois do episódio. Entreguei o cargo a ele para não contaminar, para não perturbar", disse. Wagner também relatou que Lula "esteve aqui na inauguração do Hospital de Alagoinhas, fez questão de fazer uma referência a mim muito carinhosa e elogiosa". O Poder360 procurou o senador e a assessoria de Augusto Lima e não obteve resposta até a publicação de suas reportagens. O PT afirmou ter confiança em Wagner e que ele esclarecerá todos os fatos.

A apuração faz parte da Operação Compliance Zero, que investiga corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa ligadas ao Banco Master. A operação começou em 18 de novembro de 2025 e chegou a dez fases documentadas até 9 de julho de 2026. Wagner foi alvo de busca e apreensão na nona fase, em 18 de junho deste ano.