O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no fim da noite deste sábado (1º) que vai suspender um novo ataque ao Irã, desde que seja fechado rapidamente um acordo para interromper o programa nuclear iraniano e reabrir o Estreito de Ormuz.
Em publicação na rede Truth Social, Trump escreveu que "Irã e outros países do Oriente Médio acabaram de nos pedir que suspendêssemos qualquer ataque, pois os termos de um acordo foram definidos". E completou: "Com base nesse pedido, concordei, em benefício futuro do MUNDO e, igualmente, da sobrevivência de um Irã bem-sucedido e próspero, em cancelar o ataque, desde que seja possível fechar rapidamente um ACORDO". O presidente americano disse ainda que Israel "se junta a mim nesse compromisso". O governo israelense não comentou o assunto de imediato.
Por que Ormuz pesa no bolso do brasileiro
O Estreito de Ormuz está fechado pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã. A guerra entre americanos e iranianos começou em fevereiro deste ano e, antes do conflito, cerca de um quarto das remessas globais de petróleo e gás passava diariamente pelo canal. A Guarda Revolucionária afirmou que o estreito permanecerá fechado até o que descreveu como "o fim dos males da América".
O barril do tipo Brent chegou a quase US$ 120 no auge da guerra. Foi esse vaivém das cotações internacionais que entrou na conta do governo brasileiro. Em 24 de julho, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que o subsídio adicional de R$ 0,35 por litro do diesel, suspenso desde 1º de julho, não será retomado. "Considerando nossa estratégia de suavização de preços, é preciso olhar o que está acontecendo no preço final ao consumidor", afirmou o ministro, para quem "não justifica retomar o de R$ 0,35 até aqui".
Segue valendo o subsídio de R$ 1,12 por litro do diesel, e o custo mensal dos cofres públicos com o combustível é de cerca de R$ 5,5 bilhões. A gasolina tem incentivo de R$ 0,44 por litro, a um custo mensal de R$ 1,3 bilhão. Até junho, o governo já havia gasto R$ 14,55 bilhões com esses subsídios.
Também não é a primeira trégua anunciada nesta guerra. Depois de um cessar-fogo inicial entre americanos e iranianos, que derrubou as cotações internacionais, a retomada dos ataques na região voltou a pressionar o preço do petróleo — e foi isso que levou o governo brasileiro a manter parte dos incentivos aos combustíveis.
Irã promete resposta a qualquer ataque
O anúncio de Trump veio depois de o Irã advertir os Estados Unidos contra qualquer "ação aventureira". O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi, fez telefonemas separados no sábado ao chanceler da Turquia, Hakan Fidan, ao chefe do Exército do Paquistão, marechal de campo Asim Munir, e ao chanceler da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan. Ao saudita, Araqchi disse que qualquer ataque dos EUA e de Israel, ou a participação de países da região nessas operações, receberá "resposta proporcional".
As conversas ocorreram poucas horas depois de o Exército do Kuwait informar que destruiu drones lançados pelo Irã contra instalações estratégicas do país. O Nournews, veículo ligado ao principal órgão de segurança iraniano, afirmou no sábado que ataques americanos à infraestrutura energética do Irã levariam Teerã a atingir campos de petróleo na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, além de campos de gás no Catar e em Israel: segundo o veículo, "todos serão reduzidos a cinzas".
Segundo o site Axios, o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman conversou com Trump no sábado e pediu esclarecimentos sobre os planos americanos para o Irã. Um funcionário da Casa Branca confirmou que a conversa ocorreu, sem detalhar o teor.
Na sexta-feira, em reunião de gabinete em Camp David, Trump havia dito que ainda acreditava em um acordo costurado pelos negociadores americanos — o genro Jared Kushner, o enviado especial Steve Witkoff e o secretário de Estado Marco Rubio —, mas afirmou estar perdendo a confiança nos iranianos: "Eles quebram a palavra com tanta frequência". A mediação é liderada por Omã, com participação de Catar, Paquistão e Egito, e o impasse gira em torno das taxas de trânsito e da gestão do estreito.














