O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira (31) a abertura de um novo inquérito da Polícia Federal contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É a segunda investigação liberada pelo ministro contra ele em dois dias.
Segundo a decisão, a apuração vai investigar indícios de tráfico de influência envolvendo serviços da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev), estatal vinculada ao Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos. A PF apura a suspeita de que um empresário do setor de tecnologia teria atuado ao lado de Lulinha para tentar firmar contratos com o Executivo.
De acordo com a linha de investigação da corporação, a apuração busca esclarecer se Lulinha recebeu o financiamento de ao menos uma viagem em troca de ajuda em negócios com órgãos ligados à Presidência. Nenhuma acusação formal foi apresentada até agora: inquérito é a fase preliminar da investigação e não implica culpa.
Dois inquéritos em 48 horas
A cronologia se acelerou no fim de julho. Em 24 de julho, a Polícia Federal apresentou seus pedidos ao Supremo. Na quinta-feira (30), Mendonça autorizou o primeiro inquérito, que apura suposto tráfico de influência e corrupção em negociações envolvendo cannabis medicinal — o objetivo é identificar se Lulinha atuou para intermediar interesses junto ao Ministério da Saúde em processos de autorização e se ajudou a empresa World Cannabis a buscar contratos de fornecimento.
Na sexta (31), veio a autorização do segundo, sobre a Dataprev. Os dois casos nasceram da investigação sobre os descontos ilegais em aposentadorias do INSS.
Aparecem nas apurações o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS", apontado como lobista, e a empresária Roberta Luchsinger, investigada por suposta atuação em benefício da World Cannabis ao lado de Lulinha. A defesa de Fábio Luís admite que Antunes custeou uma viagem dele a Portugal em 2024.
Defesa reage e atrito com a PF cresce
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende Lulinha, criticou o que classificou como uma estratégia de "tentativa e erro". "Ninguém quer que o Fábio esteja acima da Lei, mas não podemos permitir que ele esteja abaixo dela", afirmou. A defesa nega qualquer irregularidade e sustenta que Lulinha nunca atuou no mercado de cannabis nem buscou favorecer a World Cannabis.
Em paralelo, cresceu o atrito entre o ministro e a corporação. Mendonça determinou que todos os atos investigativos da Operação Sem Desconto sejam imediatamente juntados ao gabinete dele e que qualquer afastamento de policiais que atuam no caso seja comunicado previamente ao Supremo. A Polícia Federal procurou a Advocacia-Geral da União em busca de um remédio judicial para rebater a determinação.














