O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou em 30 de julho a abertura de um inquérito da Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão atendeu a pedido da própria PF, que aponta indícios de corrupção e tráfico de influência.
Segundo a corporação, a apuração trata de tratativas ligadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas vinculados ao Ministério da Saúde. A PF suspeita que tenha havido interferência nessas autorizações por meio de servidores e do gabinete da Presidência da República, e quer apurar se houve atuação para favorecer interesses privados junto aos dois órgãos.
O procedimento também alcança a empresária Roberta Luchsinger e Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, preso desde 2025. A abertura de inquérito é a fase inicial de uma apuração e não representa acusação formal.
O que a PF diz ter encontrado
De acordo com a Polícia Federal, há indícios de que Lulinha teria participado, ao lado de Roberta Luchsinger, de tratativas no mercado de canabidiol em benefício da World Cannabis. A corporação também pediu autorização para compartilhar elementos de prova colhidos na Operação Sem Desconto e para investigar pagamentos feitos à RL Consultoria.
Os investigadores concluíram que os fatos apurados sobre Fábio Luís não têm relação direta com os desvios do INSS e, por isso, pediram um inquérito apartado. Um ex-funcionário do lobista afirmou que o Careca do INSS bancava despesas da empresária e de Fábio Luís, e que os três articulavam em conjunto um negócio na área de cannabis medicinal.
Defesa e reação política
A defesa de Fábio Luís informou que ele admitiu, em documento protocolado no STF, ter viajado a Portugal com despesas pagas pelo Careca do INSS para prospectar um negócio de cannabis medicinal, intermediado pela empresária Roberta Luchsinger, que recebeu R$ 1,5 milhão do empresário. O advogado Marco Aurélio de Carvalho afirmou receber a decisão com "perplexidade", acusou a existência de "pesca probatória" e questionou por que o inquérito anterior não foi arquivado, se não houve achados.
O presidente Lula declarou que o filho "será tratado como o filho de qualquer pessoa" caso seja acusado, que "não haverá qualquer privilégio" e que ele "não vai ter ajuda minha se estiver errado".
A decisão repercutiu no meio político. O deputado Bohn Gass (PT-RS) defendeu a apuração: "Há suspeita? Investigue-se. Não importa quem." Na oposição, Ronaldo Caiado (PSD) afirmou que "é uma monarquia disfarçada de república, onde o rei protege o príncipe", e Romeu Zema (Novo) disse: "Se tem corrupção, esquece! É com o PT!". Também se manifestaram criticamente Rogério Marinho (PL-RN), Carlos Viana (PSD-MG), Sérgio Moro (PL-PR) e Alfredo Gaspar (PL-AL).














