A embaixadora dos Estados Unidos na Grécia, Kimberly Guilfoyle, renunciou nesta terça-feira (13), após reportagens apontarem que ela pediu a um doador republicano US$ 100 mil em troca de acesso ao governo Trump. A saída foi pedida pelo próprio presidente.
"Ela estava fazendo um bom trabalho, mas não gostamos do que estávamos lendo", disse Trump a repórteres, confirmando a saída.
O doador Eric Deters disse ao Wall Street Journal que Guilfoyle pediu que ele pagasse uma fatura de cartão de crédito de US$ 100 mil antes de sua audiência de confirmação no Senado, em 2025, em troca de acesso a autoridades do governo.
Ela estava tão desesperada por aqueles $100.000. Foi um quid pro quo.
O WSJ também relatou que, em um jantar em Atenas, Guilfoyle teria sugerido que os EUA podiam interferir na política de outros países: "Podemos fazer isso a qualquer país que quisermos. Podemos fazê-lo aqui", teria dito, segundo o jornal.
A nova secretária de imprensa da Casa Branca, Katie Zacharia, confirmou em sua coletiva inaugural que o pedido de renúncia veio do próprio Trump. Em nota no X, Guilfoyle negou irregularidades e disse que vai "defender vigorosamente" seu nome e sua reputação.
Por que 90% dos embaixadores de Trump não são diplomatas de carreira?
O caso de Guilfoyle não é isolado. Segundo levantamento da American Foreign Service Association (AFSA), 90,2% das indicações de embaixador feitas por Trump em seu segundo mandato foram de aliados políticos e doadores, não de diplomatas de carreira.
Das 102 indicações analisadas pela AFSA, apenas 10 eram de diplomatas de carreira. Os outros 92 nomes incluem empresários, doadores de campanha e aliados sem experiência diplomática formal.
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Historicamente, a proporção era inversa: cerca de 70% dos embaixadores vinham do Foreign Service e 30% eram indicações políticas, padrão que prevalece desde a administração Gerald Ford, em 1974. O governo Biden manteve cerca de 60% de diplomatas de carreira nos postos.
O padrão também apareceu no caso brasileiro: os EUA aprovaram um embaixador indicado por Trump para o Brasil, mesmo sem o aval formal de Lula.
Dias antes, o governo americano havia revogado o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Viotti.
O ponto em aberto
Guilfoyle nega as acusações e não foi condenada por nada.
O que o caso deixa em aberto é estrutural: com 9 em cada 10 embaixadores escolhidos por lealdade política, e não por carreira diplomática, episódios de troca de favores por acesso tendem a se repetir enquanto o critério de escolha for esse.





























