O governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), criticou em vídeo no domingo (1º de novembro) as campanhas de boicote contra comerciantes que apoiaram Lula (PT) no 2º turno, e citou o caso de uma cliente do varejão da família.
A publicação ocorre uma semana depois de Cleitinho já ter pedido o fim da intolerância política, em meio à mesma onda de boicotes pós-eleição. Ele criticou políticos que incentivam boicote a trabalhadores e empresários por divergência eleitoral, e desafiou quem defende a prática.

"Tanto o trabalhador quanto o empresário pagam impostos para manter esses privilégios. Então, se você está mandando boicotar empresas, tanto de esquerda quanto de direita, está na hora de abrir mão do seu salário", disse Cleitinho.
Para defender o argumento, ele contou que uma mulher o abordou numa academia e revelou ter votado em Lula. Cleitinho lembrou que ela comprava havia anos no varejão do pai, que nunca votou no petista.
"Não teve boicote de ambas as partes, nem do meu pai, que nunca votou no Lula, e nem dela. Quando ela tinha dinheiro para comprar, ela nunca deixou de comprar no Varejão porque meu pai nunca votou no Lula", disse o governador eleito.
Ele também condenou a exposição de uma criança por preferência política da família, episódio em que uma mulher humilhou um menor por causa do voto dos pais, e questionou se o voto ou o time de futebol definem o caráter de alguém.
O que motivou a onda de boicotes
A onda de boicotes começou quando o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu em vídeo o direito de escolher para onde vai o salário. Cinco deputados do PT reagiram acionando a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República contra listas que miram apoiadores de Lula.
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O presidente do PL-MG, deputado Zé Vitor, e o irmão de Cleitinho, o deputado eleito Gleidson Azevedo, também já haviam pedido o fim das retaliações. As denúncias de assédio eleitoral no trabalho, no mesmo período, subiram 75% em todo o país.
O efeito das listas já apareceu no dia a dia: uma dona de restaurante no Distrito Federal relatou boicote depois de dizer que votou em Lula, e em Divinópolis (MG) uma lista chegou a mirar 23 estabelecimentos ligados a uma mesma empresária.
Não é a primeira vez que a família Azevedo discorda publicamente sobre tolerância política: em junho, Cleitinho defendeu a vinda de Lula a Divinópolis enquanto o irmão, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL), criticava a visita.
O que acontece agora
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República ainda não informaram prazo para avaliar o pedido dos deputados do PT nem se vão abrir inquérito sobre as listas de boicote.
Nikolas Ferreira mantinha, até a última atualização, a defesa dos boicotes como exercício do direito do consumidor, e nenhum deputado do PL havia proposto ação conjunta para reduzir a tensão.

































