A Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) vai enviar 145 agentes às aldeias Sassoró, Taquaperi e Limão Verde, no sul de Mato Grosso do Sul, após ameaças, entre elas a de envenenar água, desde a reeleição de Lula (PT), em 25 de outubro.

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, anunciou a medida no sábado (31 de outubro). A Força Nacional vai atuar em Tacuru, Coronel Sapucaia e Amambai, junto com as polícias estaduais, por tempo indeterminado.

Viatura da Força Nacional de Segurança Pública em desfile, com agentes ao redor
Viatura da Força Nacional de Segurança Pública. Foto de arquivo, usada como ilustração. Foto: Ministério da Defesa/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A ameaça mais grave mira a aldeia Sassoró, onde vivem famílias Guarani e Kaiowá. Mensagens de áudio enviadas por aplicativos ameaçavam envenenar a água consumida pela comunidade.

Dois servidores da prefeitura de Tacuru confessaram ter gravado os áudios e foram afastados do cargo. A Polícia Federal e o Ministério Público Federal (MPF) abriram inquérito para investigar o caso.

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"Todas as providências necessárias foram adotadas nos casos específicos, que já estão sendo investigados em estágio avançado, e a responsabilização ocorrerá nos termos devidos", disse Wellington César Lima e Silva em entrevista coletiva.

Equipes da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) do Mato Grosso do Sul também foram enviadas às aldeias de onde partiram as denúncias, para qualificar informações e prestar apoio às famílias.

No mesmo fim de semana, Lula também enviou três ministros a Mato Grosso do Sul para acompanhar o caso de perto.

O que mais está sendo apurado

Uma força-tarefa com Polícia Federal, PRF e Funai examina dez casos de violência contra indígenas desde a reeleição, quatro deles concentrados em Mato Grosso do Sul. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, afirmou que a PF já ouviu dois suspeitos.

Segundo Terena, o monitoramento da qualidade da água das aldeias será reforçado a partir de agora.

"Apenas esse caso do envenenamento que tem uma ligação direta com crime político. Os outros atropelamentos, até o momento, não, mas é claro que não serão descartados", disse Eloy Terena, ministro dos Povos Indígenas.

A TV Sim Brasil já havia mostrado a confissão dos servidores de Tacuru e o pedido de desculpas do prefeito Rogério Torquetti (PSDB). As primeiras denúncias de ameaças na região haviam sido mostradas por esta reportagem dias antes.

Segundo a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), já passam de 30 os casos de violência ligados à eleição no estado, incluindo incêndios, atropelamentos e ameaças de morte.

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Um dos mais graves foi o incêndio da casa da rezadeira Ñandesy Roberta, 90 anos, na aldeia Jaguapiré, também em Tacuru, que destruiu instrumentos sagrados do povo guarani.

O que acontece agora

A Força Nacional inicia o patrulhamento nas três aldeias com o compromisso de deslocar equipes a qualquer ocorrência de aparência criminosa no terreno.

A PF segue com a apuração do caso do envenenamento em estágio avançado, e o Ministério Público Federal acompanha o inquérito. Não há prazo anunciado para a conclusão das investigações.