Partidos pequenos e de maior intensidade ideológica discordam da proposta do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de trocar o voto proporcional pelo distrital misto. Legendas como PSOL, Novo, PDT e Avante temem perder espaço, segundo apurou a CNN Brasil.

Hugo Motta preside sessão na Câmara dos Deputados
Hugo Motta preside sessão na Câmara: ele articula a PEC do voto distrital misto com lideranças partidárias. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados/Wikimedia Commons (CC BY 1.0)

Por que os partidos pequenos temem a mudança?

O receio das siglas mais à esquerda é a diminuição da representação de figuras ideológicas e midiáticas, como a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP). No modelo proposto, candidatos com perfil de massas e forte presença on-line, os chamados "puxadores de voto", seriam os principais beneficiados.

No sistema proporcional atual, os votos de cada candidato somam-se aos da legenda, e o total define quantas cadeiras o partido ocupa. Isso favorece quem puxa muitos votos, mesmo às custas de companheiros de chapa mais votados individualmente que outros partidos.

Um exemplo apurado pela CNN Brasil: o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) recebeu mais de 3 milhões de votos e levou o PL a 121 cadeiras na Câmara.

Já Euclydes Pettersen (Republicanos-MG), com 92 mil votos, perdeu a vaga para um colega de outro partido com apenas 25 mil.

Quem apoia e quem rejeita a PEC?

A proposta divide o Congresso por linhas diferentes das eleitorais. Partidos do Centrão, como PP, União Brasil, PSD e Republicanos, apoiam a discussão, segundo o Metrópoles. Já o PL, maior bancada da Câmara, se posicionou contra.

"Como líder da oposição na câmara dos deputados, depois de ouvir a bancada que lideramos, somos contrário a mudança da legislação eleitoral sobre o voto distrital misto", escreveu o deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB) nas redes sociais.

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O Centrão já havia discutido a proposta em reunião na Residência Oficial da Câmara, em 28 de outubro, sem a presença de PL, PT, PSOL e Novo — que seriam procurados depois.

O que acontece agora

Motta pretende votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) ainda em 2026, o que exige 308 votos favoráveis na Câmara, em dois turnos, e 49 no Senado. O deputado Domingos Neto (PSD-CE), que já relatava um projeto de lei semelhante, deve ser o relator.

Domingos Neto aguarda Motta concluir as conversas com as lideranças partidárias antes de decidir se dá sequência ao parecer, já pronto na Comissão de Constituição e Justiça. O modelo final prevê transição pelo distritão em 2030 e adoção definitiva em 2034.