O papa Leão XIV pediu, no domingo (1 de novembro), que a trégua humanitária em Oleshky, no sul da Ucrânia, sirva de impulso para novas iniciativas de paz. É a pausa nas hostilidades mais longa desde o início da invasão russa em larga escala.

Mediado pelos Estados Unidos, com participação da primeira-dama Melania Trump, e pelo Vaticano, o cessar-fogo foi anunciado em 23 de outubro e permitiu a retirada de civis e a entrega de suprimentos em Oleshky, cidade ocupada por forças russas.

Antes da guerra, Oleshky tinha cerca de 24 mil habitantes. Hoje restam cerca de 2 mil pessoas na cidade, entre elas cerca de 50 crianças.

Durante a oração do Angelus, no Vaticano, Leão XIV fez o apelo.

Espero que a colaboração entre as partes, que tornou possível esse gesto humanitário tão necessário, faça crescer a vontade de diálogo e leve a novas iniciativas concretas de paz.

Segundo o Kremlin, Putin manifestou apoio à iniciativa humanitária do Vaticano e disposição para cooperar com a assistência à população civil. No domingo (1 de novembro), o assessor Yury Ushakov afirmou que o presidente russo aceitaria conversar com Zelensky.

Nem o Vaticano reivindica protagonismo na negociação. Na terça-feira (27 de outubro), o arcebispo Paul Gallagher, chanceler da Santa Sé, disse não acreditar que o Vaticano tivesse participado diretamente das tratativas que resultaram no cessar-fogo.

O padrão que a trégua tenta romper

Esta não é a primeira trégua anunciada no conflito. Uma trégua energética mediada por Trump em outubro durou só dois dias antes de a Ucrânia retomar ataques a refinarias russas, alegando ter sido traída pelos americanos.

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O que acontece agora

A trégua em Oleshky tem previsão de terminar na segunda-feira (2 de novembro). Putin já sinalizou disposição para conversar com Zelensky, segundo o Kremlin, mas nenhuma data foi marcada para esse contato.

O ponto em aberto

A trégua humanitária em Oleshky já dura mais do que as tentativas anteriores no mesmo conflito. Mas o padrão até aqui é de rupturas rápidas, como a da trégua energética de outubro.

Falta responder se a mediação do papa, mais estreita e humanitária, consegue o que as tréguas mais amplas não conseguiram até agora.