A 13ª Turma do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou um filho de Tancredo Neves a acessar documentos médicos sobre o tratamento que terminou na morte do presidente eleito, em 1985, derrubando o sigilo alegado pelos conselhos de medicina.
A decisão, unânime, foi tomada em 26 de outubro. Tancredo Augusto Tolentino Neves moveu a ação por habeas data contra o Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal (CRM-DF).

Tancredo foi eleito pelo Colégio Eleitoral em 15 de janeiro de 1985, por 480 votos a 180 sobre Paulo Maluf. Na véspera da posse, internou-se em Brasília com dores abdominais que escondera por temer pretexto militar contra a transição.
Ele passou por sucessivas cirurgias no Hospital de Base do Distrito Federal, cuja UTI estava em obras na época, e depois no Hospital das Clínicas de São Paulo.
Morreu em 21 de abril de 1985, aos 75 anos, sem nunca tomar posse. Quem assumiu o cargo foi o vice, José Sarney, numa Presidência que ele próprio chamou de inesperada, à frente da Constituição de 1988.
Décadas depois, Sarney viveu episódio parecido no hospital: aos 96 anos, teve alta após 9 dias internado por uma cirurgia intestinal, em outubro deste ano.
O que a família quer provar
As suspeitas de erro médico ganharam força com o livro "O Paciente: O Caso Tancredo Neves", de Luís Mir, publicado em 2010 com autorização da família. O autor questiona a operação imediata, as condições dos procedimentos e o número de pessoas na sala de cirurgia.
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O CFM e o CRM-DF se opuseram à liberação, alegando sigilo profissional e que o habeas data não poderia ser usado por terceiros, nem por herdeiros. Para o relator, desembargador Roberto Carvalho Veloso, o sigilo não é absoluto diante do interesse público no caso.
O sobrenome segue na política: o neto materno do ex-presidente, Aécio Neves (PSDB), disputou o Senado por Minas Gerais em 2026 se dizendo fora dos dois polos que dividiram o país.
O ponto em aberto
A decisão não aponta se houve falha médica: apenas abre a possibilidade de a família e os pesquisadores examinarem o que ficou selado por quatro décadas. Falta saber se os documentos vão confirmar ou afastar as suspeitas que alimentam o caso desde 2010.































