A inflação de combustíveis no Brasil soma 4,49% só entre janeiro e setembro de 2026, quase o dobro dos 2,30% registrados em todo o ano passado. O governo já gastou R$ 40 bilhões em subsídios, mas não segurou o preço na bomba.
Por que o subsídio não segurou o preço?
A resposta está fora do Brasil: o petróleo Brent saltou de cerca de US$ 70 para US$ 120 o barril com as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia, e o subsídio brasileiro não tem como neutralizar sozinho uma alta desse tamanho.
Uma agência internacional de energia alertou que a restrição na oferta de destilados médios deve persistir "até bem avançado o ano de 2027". Na manhã de 16 de outubro, o barril Brent era negociado a US$ 105,90.
Qual combustível subiu mais?
O óleo diesel S10 subiu 20,85% desde o início da guerra, em fevereiro, segundo levantamento da ANP, e chegou a R$ 7,46 o litro em outubro. A gasolina comum oscilou menos: foi de R$ 6,28 para R$ 6,78 e recuou para R$ 6,54.
O etanol foi o único combustível que caiu de preço no período, com queda de 10,58%. Para conter o diesel, o Ministério da Fazenda já havia gasto quase R$ 10 bilhões antes mesmo do pacote de R$ 40 bilhões.
A ajuda de custo no diesel soma hoje R$ 2,12 por litro: R$ 1,12 de subvenção prorrogada até dezembro, mais R$ 1 de dedução para o uso rodoviário.
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O ponto em aberto
O Fundo Monetário Internacional já havia questionado essa estratégia. Segundo o FMI, sustentar o mesmo nível de proteção às famílias de baixa renda com subsídio ao consumo pode custar de três a seis vezes mais que uma transferência direta.
O G7 chegou a liberar reservas de diesel para tentar conter a alta, numa resposta que mostra o tamanho do problema. Falta saber se o Brasil muda de estratégia quando o pacote atual vencer, em dezembro.





























